18 agosto 2016

Esboço de pregação em Salmos 91.5-8: "Na vida ou na morte, não temas!"





Jorge Fernandes Isah




INTRODUÇÃO

- O Salmista continua a descrever as promessas de proteção divina; e prossegue: “Não terás medo do terror de noite”.

- A escuridão nos amedronta, em especial, o homem natural.

- Mas, por quê?

- Ora, porque ele não consegue ver, nem distinguir nada. Os perigos e ameaças podem tomá-lo de supetão, sem que os perceba.

- A escuridão traz consigo a suspeita, a insegurança, e a aflição.

- Muitos criminosos escolhem a noite para realizarem um delito; pela possibilidade de esconder-lhes a autoria, e surpreenderem as vítimas.

- Os perigos rondam por ela.

- Talvez, por isso, os filmes de terror e suspense abusem do ambiente noturno, por causa da sua atração maléfica.

- O mal se manifesta nas trevas, na escuridão, e a noite é o seu ambiente propício. Então, é natural que os homens temam a noite, e ela lhes traga ansiedade e preocupação.

- O homem mau procura as trevas, e nelas se escondem, para que os seus atos não sejam revelados pela luz.
JOÃO 3.19-21:

“E a condenação é esta: Que a luz veio ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a luz, porque as suas obras eram más. Porque todo aquele que faz o mal odeia a luz, e não vem para a luz, para que as suas obras não sejam reprovadas. Mas quem pratica a verdade vem para a luz, a fim de que as suas obras sejam manifestas, porque são feitas em Deus.”

- O profeta João nos diz que Cristo é a luz, e ele é quem dissipa a escuridão, destruindo o mal.

 

NÃO TEMAS!

- As promessas de Deus vão muito além do que imaginamos possível, e do que a maioria pensa quando lê este Salmos. Ele não fez uma relação de situações nas quais seríamos protegidos, esquecendo-se de outra na qual estaríamos vulneráveis.

- Como metáforas, elas querem afirmar que, se estamos seguros nas mãos de Deus, não temeremos mal algum, porque estamos seguros.

- Como uma galinha recolhe a sua ninhada, Deus nos protegerá também das trevas, e, em especial, da escuridão da nossa alma natural. O homem, por causa da Queda (o pecado de Adão, que era o nosso representante, a cabeça), teve todos os aspectos da sua existência manchados e atingidos pelo pecado.

- O pecado levou o homem a ser autor e vítima de suas próprias mazelas.

- E a obra de Cristo foi nos libertar primeiramente do pecado (como a influência a nos mergulhar nas sombras, na escuridão total), depois de nós mesmos, o velho homem, fazendo-nos novo, e guiar-nos em seus passos santos e retos.

- E assim, seguros, a ordem é: não temer!

- E não temeremos, porque ele é a nossa fortaleza, o nosso esconderijo, o refúgio inexpugnável.

- Dessa forma, também nas lutas e batalhas do dia-a-dia, não seremos derrotados, pois não temeremos a seta, os dardos inflamados e venenosos do inimigo.

- O eleito estará sempre seguro no Senhor, seja na vida, seja na morte.

- Com isso, o salmista quer dizer que seremos indestrutíveis? Que nada nos afetará ou ferirá? Não haverá doenças, dores, sofrimentos, perseguições e morte?

- A garantia divina não é a de que seremos invencíveis ou indestrutíveis.

Mateus 10.28-31:

“E não temais os que matam o corpo e não podem matar a alma; temei antes aquele que pode fazer perecer no inferno a alma e o corpo. Não se vendem dois passarinhos por um ceitil? e nenhum deles cairá em terra sem a vontade de vosso Pai. E até mesmo os cabelos da vossa cabeça estão todos contados. Não temais, pois; mais valeis vós do que muitos passarinhos”

- Mais do que o sofrimento, as dores da vida, e a aflição momentânea, é a morte eterna.

- O pecado trouxe consigo dores e morte.

- Muitos de nós temos vários exemplos de livramentos, de sermos poupados em meio aos perigos. Eu mesmo vive várias situações em que estive em perigo de morte, acidentes, assaltos, e outras tantas situações de risco, e Deus, em sua providência, me poupou.

- Nada disso, contudo, se compara a algo muito pior e com consequências duradouras e letais: a morte espiritual. Por que já estamos mortos em nossos pecados e transgressões, somente Deus pode nos vivificar e nos fazer assentar nos lugares celestiais, em Cristo.

- Sem Cristo, não somos nada além do pecado. Como aquele hino do Cantor Cristão diz: “De pecados carregado...”. Esta é a nossa realidade antes de sermos chamados e capacitados por Deus a reconhecer Cristo como Senhor e Salvador. Antes éramos apenas inimigos; desprezando-o.

- E por ser vivificados, chamados, justificados e santificados, podemos ouvir as palavras do Senhor, aninhando-as em nosso coração, por meio da esperança viva de que ele a cumprirá: Não temas!


VÍTIMA DE SI MESMA

1 Pedro 5.10:

“E o Deus de toda a graça, que em Cristo Jesus nos chamou à sua eterna glória, depois de havemos padecido um pouco, ele mesmo vos aperfeiçoe, confirme, fortifique e estabeleça”

- As aflições e lutas são constantes em nossas vidas. Assistimos e presenciamos as dores e sofrimentos alheios, além dos nossos.

- Vemos, ao nosso redor, as pessoas despedaçadas, afogadas, soterradas pelo mal, pelo pecado, vítimas de si mesmas (Isaias 59.2).

- Deus nos garante que, mesmo em meio as mais terríveis tribulações e catástrofes, estaremos seguros e protegidos em suas mãos.

JOÃO 17.15:

“Não peço que os tires do mundo, mas que os livres do mal”
- Se estamos no mundo, estamos sujeitos às vicissitudes do mundo.

- Mas o mal absoluto que é a separação, a inimizade, o desprezo, a Deus, dele o próprio Senhor nos livrará.

- Por isso, teremos paz (Jo 14.27, 16.33).

- E não mais seremos destruídos pelo mal que havia em nós, pois ele foi arrancando do nosso coração por Cristo, e de homens carnais fez-nos homens espirituais; pelo infinito amor com que nos amou.


NADA PODE NOS SEPARAR

Romanos 8.35, 38-39:

“Quem nos separará do amor de Cristo? A tribulação, ou a angústia, ou a perseguição, ou a fome, ou a nudez, ou o perigo, ou a espada?... Porque estou certo de que, nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as potestades, nem o presente, nem o porvir, Nem a altura, nem a profundidade, nem alguma outra criatura nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor”


- A pergunta que Paulo faz é retórica, mas verdadeira: Quem nos separará do amor de Cristo? Nada!

- Nem a peste, nem a multidão de pessoas caindo ao lado nos abalará.

- Porque a nossa segurança está no Senhor.

- Nem a morte, a separação eterna, nos alcançará, pois foi destruída e consumida pelo sangue de Cristo.

- Deus o prometeu, ele cumprirá. A esperança e certeza consiste em crer que nossas vidas estão seguras, seladas, vedadas, de todo o mal. Pois ele nos transportou para o seu lugar santo e seguro, para o esconderijo de onde não mais sairemos, e jamais nos aventuraremos pelo território maldito da rebeldia e transgressão (Rm 8.8-11).


CONCLUSÃO

Que Deus nos abençoe e fortaleça, a fim de resistirmos até o último momento, confiando sempre nele, em sua providência e preservação, seja na vida ou na morte, porque somos dele, e nada poderá nos arrebatar ou tirar das suas mãos, pois esta é a sua promessa, a qual cumprirá com cada um dos seus filhos, daqueles que são coerdeiros de Cristo, e alvos eternos do seu amor.

A Cristo toda honra e glória, para sempre!



Nota: Sermão ministrado no Tabernáculo Batista Bíblico, em 10/08/2016

13 agosto 2016

Esboço de Pregação em Salmos 91.1-4: "No esconderijo do Altíssimo"



Jorge Fernandes Isah


INTRODUÇÃO

- O Pastor Luiz pregou sobre os versos 1 a 3, na última quarta-feira. 
- Darei continuidade, hoje, a este belo, profundo e glorioso Salmo.
- É um texto no qual o salmista demonstra a confiança, esperança e certeza, do crente, em Deus. 
- Trata também da fidelidade e cuidado divinos para com os seus, em meio a um mundo louco e desordenado pelo mal. 
- É um Salmo cheio de promessas de bênçãos para o povo de Deus. 
- Meditemos, então, no verso 4: 


"Ele te cobrirá com as suas penas, e debaixo das suas asas te confiarás; a sua verdade será o teu escudo e broquel"
Ele te cobrirá com as suas penas, e debaixo das suas asas te confiarás; a sua verdade será o teu escudo e broquel.
Salmos 91:4
Ele te cobrirá com as suas penas, e debaixo das suas asas te confiarás; a sua verdade será o teu escudo e broquel.
Salmos 91:4
Ele te cobrirá com as suas penas, e debaixo das suas asas te confiarás; a sua verdade será o teu escudo e broquel.
Salmos 91:4
 


DESCEU DOS ALTOS CÉUS PARA NOS ABRIGAR

- Existe uma ideia disseminada, entre os cristãos, de que somos nós a procurar e irmos até o Criador, enquanto ele permanece estático em seu trono nos aguardando. 
- Este é um conceito totalmente equivocado, de uma interpretação desleixada e pouco fiel ao que nos é revelado pelas Escrituras.
- Pelo contrário, o salmista nos mostra a verdadeira realidade: é Deus quem desce dos altos céus para abrigar, proteger e salvar os seus filhos.
- Foi o que Cristo fez ao encarnar-se, viver, morrer e ressuscitar por suas ovelhas. Sim, Cristo morreu pelo seu povo, para ajuntá-lo debaixo de suas asas poderosas e remidoras. 
- Como filhotes indefesos e incapazes de se defenderem a si mesmos, Deus é quem nos recolhe, dando-nos proteção e segurança. 
- A comparação que o salmista faz é exatamente esta: precisamos da proteção divina, porque somos frágeis, inúteis até mesmo para garantir a nossa segurança. 
- Às vezes, também, somos ingratos ao não reconhecer nele o nosso protetor. Porque ele, em incontáveis momentos, não nos deixa sequer perceber o perigo em que estamos, nos livrando muito antes de podermos dar conta da existência da ameaça (a sua misericordiosa providência). Nesses casos, sequer notamos a sua proximidade, mas ele está lá, nos guardando, sem que sintamos o seu livramento preventivo. 
- Por isso devemos ser gratos a cada momento, pois Deus não somente age naquilo em que vemos ou percebemos, mas também no que não vemos nem percebemos.
- Ele nos poupa dia a dia, manhã a manhã.
- O que reputamos como sorte ou esperteza nada mais é do que a sua santa providência; o escape que ele nos dá.
- Nada é por nosso mérito! Nada pode ser creditado na conta humana. Se o fazemos, somos ingratos; e arrotamos uma independência ou autonomia impossível e louca.


 UM PARALELO COM MATEUS 23:34-38

- Jesus, nos versos anteriores, ataca os fariseus e escribas e sacerdotes, por não entrarem no reino dos céus, e ainda tentavam impedir de entrar aqueles que estavam entrando (v. 13).
- Ele profere os sete "Ais" contra os líderes judeus. 
- A condenação que lança sobre eles é justa, pois Cristo conhece os corações e destinados daqueles homens pérfidos, mentirosos e carnais. Ele lhes aponta a maldade e o desejo de morte que têm. 
- Jerusalém, literalmente, quer dizer "cidade de paz", mas ela se torna uma cidade de guerra, a guerra contra Deus, contra o bem, acolhendo os romanos pacificamente, seus pecados sem resistência, e se torna em cidade de morte, escombros e destruição, quando em 70 d.c. é destruída por Tito. 
- No verso 34 em diante, ele fala com pesar da descrença de Jerusalém. Mas seria toda a cidade? Haveria em si o desejo de salvá-la, mas ele não podia porque os seus habitantes o rejeitavam?
- É claro que não. Há um problema soteriológico em se entender a vontade divina como restringida pela vontade humana, de maneira que Deus estaria atado, preso, em sua vontade infinita e benigna aos anseios do homem limitado e mau. Este é o equívoco, a conclusão lógica, de se seguir a premissa do livre-arbítrio, como algo possível ao homem dominado pelo pecado. 
- O Cristo, também, não pode ser separado em suas duas naturezas. A Bíblia indica uma unidade na pessoa do Filho, não uma dualidade, por isso, dizer que foi apenas o Cristo-homem a falar sobre a impiedade de Jerusalém, ainda que seja um resposta, não me parece a mais acertada. 
- Talvez, estivesse se reportando à aliança com Davi, o rei que a conquistou para o povo de Deus, o mesmo povo que negava o Filho e sua salvação. 
- Pode ser, ainda, que ele esteja se referindo aos israelitas que, sob as ordens de Tito, seriam massacrados e dizimados em meio à destruição romana da cidade, inclusive do Templo. 
- Não há como negar a tristeza do Senhor ao profetizar que a cidade de Davi seria aquela a primeiro perseguir os seus discípulos, matando-os cruelmente. Assim não aconteceu apenas consigo mesmo, crucificado injustamente; mas com Tiago, irmão de João, "os filhos do trovão"; posteriormente com Estevão, e tantos outros assassinados pelo ódio dos filhos do diabo (At 7.54-60; 8.1, p. ex.).
- Uma cidade que pecou gravemente (Lm 1.8).
- Dela partiam ordens para outras cidades a fim de prenderem os servos de Cristo (At. 9.2).
- Por isso, se tornará em uma cidade deserta; e o povo de Deus foi dispersado pelo mundo (diáspora). 
- O certo é que não dá para não comparar esta passagem com o presente Salmo; e se ter em mente que Cristo, muito mais do que desejaria fazer é capaz de ir além e cuidar diligentemente do seu povo, ao abrigá-lo sob as suas asas redentoras. 
- Contudo, o mesmo Deus que protege e liberta o seu povo é o mesmo que julgará e condenará o ímpio. 
- E Deus é injusto?



ortanto, eis que eu vos envio profetas, sábios e escribas; a uns deles matareis e crucificareis; e a outros deles açoitareis nas vossas sinagogas e os perseguireis de cidade em cidade;
Para que sobre vós caia todo o sangue justo, que foi derramado sobre a terra, desde o sangue de Abel, o justo, até ao sangue de Zacarias, filho de Baraquias, que matastes entre o santuário e o altar.
Em verdade vos digo que todas estas coisas hão de vir sobre esta geração.
Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas, e apedrejas os que te são enviados! quantas vezes quis eu ajuntar os teus filhos, como a galinha ajunta os seus pintos debaixo das asas, e tu não quiseste!
Eis que a vossa casa vai ficar-vos deserta
Mateus 23:34-38
Portanto, eis que eu vos envio profetas, sábios e escribas; a uns deles matareis e crucificareis; e a outros deles açoitareis nas vossas sinagogas e os perseguireis de cidade em cidade;
Para que sobre vós caia todo o sangue justo, que foi derramado sobre a terra, desde o sangue de Abel, o justo, até ao sangue de Zacarias, filho de Baraquias, que matastes entre o santuário e o altar.
Em verdade vos digo que todas estas coisas hão de vir sobre esta geração.
Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas, e apedrejas os que te são enviados! quantas vezes quis eu ajuntar os teus filhos, como a galinha ajunta os seus pintos debaixo das asas, e tu não quiseste!
Eis que a vossa casa vai ficar-vos deserta
Mateus 23:34-38
Portanto, eis que eu vos envio profetas, sábios e escribas; a uns deles matareis e crucificareis; e a outros deles açoitareis nas vossas sinagogas e os perseguireis de cidade em cidade;
Para que sobre vós caia todo o sangue justo, que foi derramado sobre a terra, desde o sangue de Abel, o justo, até ao sangue de Zacarias, filho de Baraquias, que matastes entre o santuário e o altar.
Em verdade vos digo que todas estas coisas hão de vir sobre esta geração.
Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas, e apedrejas os que te são enviados! quantas vezes quis eu ajuntar os teus filhos, como a galinha ajunta os seus pintos debaixo das asas, e tu não quiseste!
Eis que a vossa casa vai ficar-vos deserta
Mateus 23:34-38
OS MÉRITOS DO FILHO

- A resposta à pergunta anterior é: Não!
- Porque somente pelos méritos do seu Filho o homem será salvo e livre da condenação, mas, sobretudo, da inimizade com Deus. 
- Jerusalém já estava condenada ao não ouvir e aceitar o Senhor, tal qual as Escrituras nos diz em João 3.17-19.
- Os homens preferiram a escuridão e as trevas, e elas os destruíram em sua incredulidade. 
- Mas, temos uma grande promessa: Deus nos cobrirá, protegerá e guardará em suas asas.
- Apesar de Jerusalém, amada e um dia restaurada, aquela geração cética rejeitou a proteção do Senhor, acreditando-se capaz de manter a auto-segurança. 
- Em campo aberto, em meio as trevas, sem ter como serem guiados na verdade, sucumbiram à própria pretensão e arrogância. Na autossuficiência não quiseram ver o que lhes era impossível: seriam presas fáceis para si mesmos e seu orgulho.
- Certa vez, em uma conversa, perguntei: Qual o maior resultado da obra redentora de Cristo? A pessoa respondeu-me: "livrar-nos do inferno!" Ao que retruquei: Sim, e não. A maior obra de Cristo foi livrar-nos de nós mesmos!
- E pouco pensamos nisto, pois como afirmou Agostinho (não com estas palavras), o que somos além de pecado e morte?
- O pecado tem uma característica ilusória de fazer o homem acreditar que o bem é mal e o mal é bem. De encobrir suas falhas; de exaltar os seus vícios, sobretudo, o desejo de sangue e morte. 
- Ao rejeitar o Justo, o Santo, o Redentor, está-se condenado; porque quem nega o Filho não tem o Pai, e está entregue à sua própria natureza destruidora. 
- Aos seus eleitos, ele os abrigou. Assim como abrigou o salmista. 


VOLTANDO AO SALMO 91


"A sua verdade será o teu escudo e broquel" (v.4)

- Usando de imagens e metáforas, Deus se revela um guardião do crente, um guerreiro disposto a dar a sua vida por cada um de nós (novamente, foi o que Cristo fez na cruz). 
- Ele não somente nos abriga em suas asas, mas nos protege duplamente. 
- Escudo e broquel (um escudo menor que vai junto ao corpo) nos dá a ideia de uma defesa reforçada, inexpugnável, na vigilância insistente e incessante de Deus. 
- Ele não somente nos protege, mas nos protege com armas poderosas, eficientes e imbatíveis. 
- Nada poderá nos destruir ou atingir. 
- Nada poderá nos separar do amor de Deus em Cristo (Rm 8.35, 37-39).
- Estas são promessas divinas, as quais não podemos negligenciar. Cabe-nos, unicamente, ansiar por uma vida santa e vivê-la. 
- Se somos realmente filhos de Deus, nada, nem o pior inimigo, Satanás  nós mesmos, vencerá esta batalha. Pois ela já foi ganha, alcançada e vencida por Cristo, que a levou a termo por nós. E se realiza e realizará em nossas vidas. Portanto, somos vitoriosos e vencedores nele, por ele, e para ele.


CONCLUSÃO

- Por tudo isto, devemos ser constantemente gratos a Deus, pois como servos inúteis, servimos para a sua glória, pelo poder com o qual nos chamou, nos predestinou, nos restaurou e santificou por todo o sempre. 
- Não nos esqueçamos de agradecer, ainda mais uma vez, pelas infinitas e incontáveis bênçãos.
- A ele, Deus eterno, santo e justo, honra e glória!

Nota: Pregação realizada no Tabernáculo Batista Bíblico, em 03.08.2016


24 julho 2016

A Palavra Não Escrita: O meu livro de estreia!



Jorge Fernandes Isah



Depois de seis anos, escrevendo o meu primeiro livro de poesias, acabou de sair a publicação de "A Palavra Não Escrita". Ele não é fruto unicamente do meu esforço, mas de muitas outras pessoas, algumas delas não tive o prazer de conhecer, mas auxiliaram na minha formação o suficiente para que a obra viesse a lume. 

Em especial, queria agradecer ao amigo e irmão Sammis Reachers, do Poesia Evangélica, que empreendeu um trabalho primoroso, dedicado e não remunerado, para fazer a edição e a arte (e se recusou a ter o nome incluído nos créditos). 

Por isso, nada melhor do que deixá-lo falar, transcrevendo, a seguir, o prefácio que ele gentilmente elaborou para o meu livro. Uma honra e tanto!

A todos que participaram direta ou indiretamente na realização dessa obra, o meu sincero e muito obrigado.

Em especial a Cristo, sem o qual não haveria motivação e força para concluí-lo!

A ele, toda honra e glória!

PS: Baixem, leiam e divulguem o livro! 
Ele pode ser acessado na página do Poesia Evangélica
Ou
No site Monergismo, do amigo e irmão, Felipe Sabino. 


PREFÁCIO

"A poesia de Jorge F. Isah nasce carregada de enlevo hermético. Como os mestres hermetistas italianos do século XX (Montale, Quasimodo, Ungaretti), a cada poema de Jorge somos confrontados pelo toque da Esfinge, “decifra-me ou te devoro”, e mais, “decifra-me e devora-me”: que maior convite pode fazer um poeta, pode propor um poema?
  
E Jorge avança, como alfarrabista de palavras que é, como artista ora cônscio, ora febril, a estabelecer seus mosaicos na tabula rasa do papel; sua arte nunca é superficial, nunca é simplória: ela não solicita, mas é uma onda densa que arrasta, desperta e conclama ao mergulho em suas torrentes verbais. Exige a atenção, engaja e transveste seus leitores no tensionado herói Teseu, cuja atenção freme ululante enquanto avança pelo labirinto - cujas bifurcações vão se adensando a cada quadra. O prêmio para aquele que perseverar está ao fim do labirinto, embora feito da soma de suas partes: o gozo silencioso da celebração poética, o graal misterioso e assaz buscado, o pequeno êxtase quase epifânico (pois a poesia tem e terá sempre - quem a furtará? - algo de religião, de religação com o divino) que só a verdadeira arte pode inocular nas veias da alma. 

Este A Palavra Não Escrita é um manjar pleno para o verdadeiro apreciador de poesia, posto em salvas de prata onde o leitor sorverá a multiplicidade de percepções do autor, cujos versos transitam das elucubrações de sua alma às mazelas da sociedade, do fulgor metapoético, da poesia que se dobra sobre si mesma, à louvação dAquele que é a fonte matricial de toda poesia, justiça e beleza.  

Uma jornada com poder de transformar percepções, cujo arco tensionado se estende do álacre ao pungente: esta é a proposta de Jorge Isah neste seu elaborado labirinto."
   Sammis Reachers

11 julho 2016

Mais do que uma predestinação apenas vislumbrada




Jorge Fernandes Isah




Outro fato relevante, e que pode passar desapercebido diante do objetivo principal da exortação de Judas é, após relatar que se introduziram alguns, escrever “que já antes estavam escritos para este mesmo juízo, homens ímpios”. Mas, por que escreveu isto? Com qual objetivo? Este trecho não parece deslocar-se do restante do verso, como algo a acrescentar pouco ou nada?


É inevitável observar que, para Deus, nada acontece sem o seu consentimento, sem a sua vontade estar manifesta, não podendo pegá-lo desprevenido, sem souber ou antever o acontecido. Não estou a defender a ideia de o Criador apenas vislumbrar, ver ao longe, todos os fatos e processos históricos para, somente então, decretá-los ou predestiná-los. Deus não é assim, contra-atacando ou reagindo a uma ação prévia. Antes ele é a causa primeira e última de todas as coisas, aquele pelo qual tudo se realiza, ou então nada viria a se conceber. Ele não é um espectador assistindo, com passividade, os personagens da história (toda a criação) agindo e interagindo como bem entenderem. Não, porque dois dos seus atributos são a soberania e todo-poder, de ser o agente da história, o seu construtor, motivado exclusivamente pela sua vontade, sem nos esquecer dos demais atributos, os quais se comunicam de forma inseparável em seu ser, a união de toda a sabedoria, toda a santidade, todo o amor, e tudo o mais a constituir o caráter e o ser divino.

Deus não vislumbra os acontecimentos, como se algo houvesse escapado ao seu controle, realizando-se à sua revelia, onde os fatos estariam à margem da sua vontade e poder, envolvendo-o caoticamente, como um bombeiro sem água diante de um incêndio. Ele não é inepto, omisso ou desinteressado, negligente ou incapaz de cuidar de toda a sua criação, nos mínimos e mais insignificantes detalhes, para que tudo esteja sujeito à sua ordem, à sua vontade soberana, como está escrito:

“E não temais os que matam o corpo e não podem matar a alma: temei antes aquele que pode fazer perecer no inferno a alma e o corpo. Não se vendem dois passarinhos por um ceitil? E nenhum deles cairá em terra sem a vontade vosso Pai. ” (Mt 10.28-29)

Ora, se nem um passarinho, por menor que seja, cai sem se manifestar se forma objetiva e direta a vontade divina, podemos dizer o mesmo daqueles homens iníquos a invadirem a igreja primitiva, intentando destruí-la? Estaria o Senhor agindo como um omisso, leviano? Ao ponto de ser surpreendido? Quanto isto, o autor nega com vigor e veemência, pois eles haviam sido antes escritos para esse fim.

Mas, qual seria esse fim?

Ele usa a expressão “juízo”, designando uma sentença, uma condenação, punição; ou seja, aqueles homens, antes determinados ou escolhidos para adentrarem à igreja e praticarem suas impiedades, também foram feitos réus antes mesmo de nascerem, antes de praticarem o mal inevitavelmente praticado. Na mente divina, há um nítido objetivo para estarem ali, ou um leque de objetivos a fim de cumprirem um propósito específico. Poderia citar, por exemplo, a finalidade de purificar, amadurecer e fortalecer, a igreja contra combates ainda  piores a serem enfrentados no futuro. O certo é haver Deus escolhido aqueles homens maus para fazerem uma determinada obra na igreja, com um fim definido, e, por terem-no realizado, seriam irremediavelmente condenados.

O verso está a ressaltar a soberania divina e o seu caráter cuidadoso para com a igreja, mesmo trazendo sobre ela lutas e sofrimentos, algo que não podemos aquilatar em detalhes por causa da nossa pequenez e incapacidade de alcançar perfeitamente a mente de Deus (como pode a mente limitada, imperfeita e pecaminosa do homem compreender totalmente a mente infinita, perfeita e santa do Senhor?), mas podemos aceitar, como verdadeira, visto ser um dos pontos mais relatados nas Escrituras, revelando-nos um Senhor definido, necessário, e de deliberada resolução; o Deus a mover todas as coisas para um fim, as quais não acontecem pela aleatoriedade ou casualidade, mas pela determinação ou conselho divino. Em outras palavras, o autor está a falar-nos de uma doutrina estigmatizada e demonizada pela maior parte da igreja na atualidade, a doutrina da predestinação; Deus predestinando a igreja a passar por essas provações, assim como predestinou aqueles homens iníquos para afligirem-na.

Considero por bem ressaltar, mais uma vez, este ponto: a ação divina não é passiva, do tipo, Deus viu que o homem se salvaria, se santificaria, se esforçaria em entrar no Reino, aceitá-lo-ia e, então, somente então, Deus o predestinaria e o elegeria. Mas que eleição é essa onde o eleito é quem se auto predestina? Onde o escolhido se auto escolhe e impõe a sua escolha por seus próprios méritos para aquele que o predestinou? O que vem primeiro: a predestinação, ou o esforço do eleito em satisfazê-la e, por fim, ser predestinado? Seria o mesmo que dizer que alguém se afogou antes de entrar na água.


Nota: Excerto do Capítulo 3, do meu livro sobre o comentário à Carta de Judas, a ser lançado em breve.