23 fevereiro 2008

deus DE MENTIRINHA


- Análise do livro a Linguagem de Deus -
Por Jorge Fernandes


AUTOR: FRANCIS S. COLLINS (Diretor do Projeto Genoma)
EDITORA: GENTE

IMPRESSÕES:
· A linguagem narrativa do autor: O texto é de fácil compreensão, mesmo para quem, como eu, não é versado em ciência, o que é uma grande vantagem.
· Idéia geral: Defesa do darwinismo, a despeito do título e subtítulo afirmar um encontro com Deus. Na verdade, o deus dele é Darwin, e como tal, ele escreve sobre “A linguagem de ‘seu’ deus”.
· Conceito: O autor defende com “unhas e dentes” o darwinismo, usando Deus como um “mote”, um subterfúgio para atingir os cristãos incautos e outros religiosos.
· Erro imperdoável: Francis Collins fala sempre de um Deus genérico, procurando agradar a “gregos e troianos”. Como evangélico, ele em momento algum cita o Senhor Jesus Cristo como Deus, ou refere-se a Ele como Deus. Chega a usar o termo Verbo, presente em João 1:1, como sinônimo para Deus, sendo que o termo é usado exclusivamente para definir a 2 ª pessoa da Trindade: Jesus Cristo.
Fica clara a intenção e o desejo de “converter” ao seu deus, tanto cristãos como mulçumanos, budistas, agnósticos e ateus.
· Definição em uma frase: Sem fé no evolucionismo é impossível agradar a “deus”.

COMENTÁRIOS:
O autor disseca bem a teoria darwinista, expondo-a quase sem deixar de tocar em nenhum dos seus pontos principais; sempre a defendê-la a todo custo, mesmo que seja injusto ou desleal com os seus opositores (o que não fica tão evidenciado por seu texto comedido, mesmo não disfarçando a virulência com que os combate).
A linguagem ao qual aborda é a da evolução, dos princípios traçados por Darwin, ao qual chama de um cientista irretocável, pois ao enunciar a sua teoria, anteviu descobertas que sequer podiam ser cogitadas à sua época (ainda que estas “descobertas” não passem de pura e simples especulação, embasada em evidências que fogem ao crivo da ciência, e perambulam pela filosofia, ou pela fé evolucionista).
· Os argumentos com que ele combate os opositores são a base para sua defesa. Ele chega a usar fatos históricos como o de Galileu x Igreja Católica, para justificar que a disputa entre ciência x religião (subentende-se: Darwinismo x Deus) sempre resultará na vitória da primeira. Ele joga todos os seus dardos inflamantes sobre os cristãos ortodoxos/fundamentalistas, ridicularizando-os (não se engane com a pretensa linguagem conciliatória. Francis Collins dispara todas as armas do seu arsenal, atirando a torto e a direito): o alvo dele é desacreditar a fé em Cristo Jesus, talvez, por isso, ele exclua-O do seu debate.
Suas evidências são meramente especulativas, muito mais filosóficas que científicas (apesar de “aparentarem” ciência), e é exatamente neste ponto que ele combate tanto criacionistas como proponentes do Inteligent Design (o que é certo para Collins, torna-se erro grotesco nos outros). Veja a avaliação que ele faz de cientistas como Henry Morris (criacionista), Michael Behe e William Dembski (I.D.), quase os chamando de ignorantes, despreparados, pseudocientistas (apesar de elogiá-los pela sinceridade e honestidade com que defendem suas posições; e aí, o aparente elogio reforça o desprezo acadêmico que nutre por eles).
Ao referir-se a Phillip Johnson usou para combatê-lo a mesma tática que discorreu durante todo o livro: defender Darwin a todo custo. Se ele pode fazê-lo, porque Johnson não (a afirmação de que Johnson não é cientista, mas ao propor o I.D. queria apenas e tão somente “defender” a Deus dos ataques evolucionistas)?
A sua base crítica é um emaranhado de suposições (ainda que tenham um apelo lógico), as quais fazem dele e de seus pares cientistas sérios (afirmado pela negação da seriedade nos outros), e comprometidos com a verdade, já que apenas eles a detém (ainda que afirme não ser possível ou capaz, e talvez nem o seja, definir sobre essas verdades. Ele crê que, provavelmente, o homem jamais saberá o que se passou na criação do universo e da humanidade; ainda que afirme haver evidências factuais para se acreditar e confiar no evolucionismo, o que é uma contradição).
· Outro ponto interessante é a convicção com que defende o evolucionismo, ao nível de “crença”, de fé em suas pressuposições. O que confirma que o seu deus não é o Deus Verdadeiro, o Deus Único, o qual se manifestou em total plenitude no Senhor Jesus Cristo, mas um embuste chamado Charles Darwin.
· Ao usar argumentos humanistas, liberais (ele crê no que se pode chamar de livre-arbítrio extremado), excludentes da Bíblia, afirma que a fé deve sempre estar condicionada à ciência, sem a qual não haverá “verdade” alguma. Para ele, a crença em conceitos que não sejam científicos, ou que estejam à margem das descobertas científicas, levará ao enfraquecimento, ao distanciamento da fé. Chega a citar ingenuamente, que uma fé errada na ciência, destruirá a fé em Deus, ou, pelo menos, a comprometerá. Mas de qual Deus ele fala? Do seu deus?
· Francis Collins, se pudesse assumir, escreveria: “Sem fé no evolucionismo é impossível agradar a deus”.
· A idéia dele é a de unir todos numa espécie de “ecumenismo científico” (tal qual a Igreja Católica deseja entre os cristãos, desde que seus dogmas e doutrinas sejam aceitas irrevogavelmente), levando todos a um só princípio, a um mesmo padrão, desde que seja o do naturalismo. E isso, se não for ditadura, está bem próxima de sê-lo.
· Ao propor o Biologos (evolucionismo teísta) ele parte para uma conclusão na argumentação de que ciência e fé devem e podem andar juntas. Elas não devem viver em constante embate. Mas se uma nega a outra, como harmonizá-las? A sua resposta é: diminuindo ou eliminando os pontos em que há discordância bíblica. Pois sempre ele irá contestar a veracidade da Bíblia, e jamais a credibilidade científica, ainda que ela seja especulativa e nada conclusiva. Gênesis 1-3, assume caráter meramente espiritual, poético ou moral, enquanto o Big-Bang, a seleção natural e a evolução são fatos plenamente críveis.

CONCLUSÃO:
· Acho esta busca do Francis Collins um equívoco total. Ele prega um Deus genérico, sendo muito mais um Deísta do que um Teísta (apesar de enganar bem como tal). O seu deus é Darwin e sua teoria. Não vê como a fé pode subsistir sem que a ciência a corrobore (mesmo não deixando explícito tal afirmação, ela se encontra subliminarmente exposta), e aquela se torna refém desta.
O livro questiona a Bíblia e os fatos ali narrados, e execra tanto criacionistas como os proponentes do I.D., ao afirmar que eles são subcientistas e pseudo-intelectuais; homens sinceros, é verdade, mas incompetentes e inaptos (perdoem-me o termo darwinista) para vislumbrar as “belezas e maravilhas” da verdade evolucionária.
Ao questionar a seriedade de cientistas, os quais não comungam com a sua visão evolucionista, ele os lança ao descrédito, desprezando-os como acadêmicos, colocando-se (ele e o seu grupo) como o único porta-voz da verdade, e baluartes da seriedade (ou competência). Deus deixa de ser o absoluto para que a sua prática científica (e eles mesmos) o seja (ainda que ele valide, teoricamente, a moral cristã e a busca de um deus, qualquer que seja ele).
· O que é fato em Francis Collins e o seu “A linguagem de Deus”: seu deus é de mentirinha.

21 fevereiro 2008

TRASPASSAR

Por Jorge Fernandes

Os olhos decaídos
Não viam os passos em titubeio,
Nem o asfalto lacerado como pano velho,
Não ouviam o solado raspar-lhe os farelos,
Nem sentia o piso duro deformá-los;
A lágrima descuidada regou o solo,
Fez-lhe subir a poeira,
Enquanto o Sol rubro tingia o cinza-azulado do céu,
Não lhe senti o cheiro,
Nem pude tocá-lo,
Quase corri pelo gramado seco,
Entre as fístulas do passeio.



Olhei para todos eles,
E vi o quão longínquo estava,
Mesmo ali,
Não havia como alcançá-los,
Nem o choro,
Nem o grito,
Nem a dor,
Nem o silêncio,
Nem as vistas arqueadas,
Nem o aperto de mão ou o abraço desengonçado,
Nada.
As promessas esvaíram-se efêmeras,
E mesmo o vôo dos pardais,
O cair de folhas das palmeiras,
Intransigiam o momento.


Vi-me ao vê-los,
Parentes, amigos, colegas, ignotos,
Cravados na presunção,
De que para conhecê-Lo,
Posso ser o que quiser,
Aproximar-me de qualquer jeito,
E fazê-lo a mim mesmo,
Imperfeito,
Complacente,
Dissoluto.



No fim, tudo dará certo,
Ele me perdoará por tentar,
Por não conseguir, ainda que creia tê-lo,
Pela fé que não ultrapassa um ideal,
E desfaz-se na ardente aspiração extinta.


Ele pode se alegrar comigo,
Ele pode rir-se de mim,
Consentir em meus pecados,
Fazer a cara de bom velhinho,
Um noel irreal,
Que troca cartas por bolas de plástico,
Ele pode até se parecer comigo,
Mas esse não é Ele;
Apenas outra corrupção da mente caída,
Como tantas em que me agarro,
Uma corda imaginária,
Que me precipita.


A aflição me toma,
Um a um lançar-se no abismo,
A geena a sugá-los como redemoinho de chamas,
Até que o Altíssimo o estanque.


Ele é quem me eleva,
Iça-me do precipício eterno,
Não há como enganá-Lo,
Nem adorá-Lo,
Se vejo-me no espelho inteiro,
Desfigurado,
Se Cristo não se formar,
Os dentes rangerão no fogo inextinguível...


Ver-me através do Filho,
Purificado,
Convertido à Sua imagem,
É a salvação:
De mim,
Do inimigo,
Do desprezo,
Do pecado;
Próximo Dele,
Achego-me a todos,
E o Seu amor preenche as lacunas,
A perfurar
.

17 fevereiro 2008

Dízimo, oferta e o crente














Por Jorge Fernandes Isah*

Tenho lido muitos artigos sobre o dízimo e ofertas. Quase todo dia, me enviam textos "descendo a lenha" no que chamam a "falácia do dinheiro a Deus". Como já expus há alguns irmãos a minha convicção pessoal, e creio, também bíblica, e visto que me chegou às mãos um artigo intitulado "Salário do Pastor: um peso na carteira!"1 (cujo autor não sei quem é, mas já o reprovo pelo título), enviado por uma irmã que me pediu um comentário, resolvi escrever minhas impressões sobre o assunto e a minha convicção bíblica a respeito.

PRIMEIRO: UM ALERTA!
O problema de muitos articulistas é a falta de honestidade. Não que desejam ser "desonestos", mas é que não se preocupam com TODA a honestidade; pois estão satisfeitos demais com a honestidade que já têm, ainda que não seja suficiente. O ataque é sempre baseado em uma premissa, um pré-conceito instalado e arraigado, simplesmente opinativo (refletindo o desejo e prática pessoal ao invés da vontade de Deus), ainda que sejam citados alguns versículos bíblicos (normalmente fora do contexto e a pretexto de) e algumas fontes "abalizadas", que justificam a execração pública, seja da igreja, do pastor ou do crente fiel que oferta (isso não é privilégio dos articulistas cristãos, mas é uma prática usada secularmente, desde que o homem caiu no Éden). Não há preocupação com TODA a verdade. Uma parte dela, mesmo ínfima, já é o suficiente, e se houver alguma distorção, quem se importará?
Então, a questão passa a ser moral, e se omitimos deliberadamente alguma informação, ou não fazemos uma pesquisa cuidadosa, emitindo um conceito como sendo divino (o que é uma manipulação, um sofisma), faltamos com a verdade, e nos tornamos em mentirosos, fraudulentos. Há de se ter cuidado com tudo o que lemos, para que não caíamos na armadilha, sendo enganados por negligência, por desprezarmos uma acurada análise crítica do que está sendo proposto. É assim que começam as heresias, é assim que Satanás engana o homem, é assim que se torna fácil confundir, beligerar, dominar, e isso é pecado, e não podemos jogá-lo para debaixo do tapete, como se fosse possível escondê-lo. A Bíblia afirma que, "Não erreis: Deus não se deixa escarnecer; porque tudo o que o homem semear, isso também ceifará. (Gal.6.7), e que, "os pecados de alguns homens são manifestos, precedendo o juízo; e em alguns manifestam-se depois. Assim mesmo também as boas obras são manifestas, e as que são de outra maneira não pode ocultar-se"(I Tm 5.24-25).
Então, como ovelhas no meio de lobos, sejamos prudentes como as serpentes e inofensivos como as pombas (Mt 10.16).
Usualmente, temos o defeito de sermos relapsos, pouco atentos aos cuidados que se deve ter com a Palavra. Se lemos um texto, mesmo que de um renomado escritor ou teólogo, devemos cuidar para não crer "afoitamente" em tudo o que ele diz. Se nos são apontados versículos bíblicos, que os consultemos, atentando para o contexto do capítulo, seus versículos anteriores e posteriores, que nos darão o entendimento correto do que o versículo citado quer realmente dizer. Por sermos omissos, acabamos crendo em todo tipo de "sandice" professada e confessada, como sendo verdade e proveniente de Deus. Não podemos nos esquecer de que toda a verdade está contida nas Escrituras, e de que ela é a nossa única regra de prática e fé, mesmo que a maioria de nós a tenha (e venha) negligenciado. O Senhor nos alerta a vigiar e orar (Mc 14.38), e não nos deixar enganar por verdades, "as quais têm, na verdade, alguma aparência de sabedoria... mas não são de valor algum senão para a satisfação da carne" (Cl 2.23).
Estejamos pois alertas, revestidos de toda a armadura de Deus, para não sermos apanhados nas ciladas de Satanás (Ef. 6.11)

SEGUNDO: UM FATO.
O dízimo é bíblico e refere-se à nação de Israel. Primeiramente, não eram ofertas a Deus, mas taxas para suprir o orçamento nacional, visto que Israel era uma teocracia, os sacerdotes levíticos atuavam como um governo civil. Representava não a décima parte mas, aproximadamente, 25% em taxas que eram doadas pelos israelitas. É uma ordenança ao povo de Israel. Assim, os crentes do N.T. não são chamados a dizimar. Mas temos de DOAR, OFERTAR. Como o pr. John MacArthur disse: "A linha de direção para a nossa doação para Deus e Sua obra é encontrada em II Co 9.6-7: 'E digo isto: Que o que semeia pouco, pouco também ceifará; e o que semeia em abundância, em abundância ceifará. Cada um contribua segundo propôs no seu coração; não com tristeza, ou por necessidade; porque Deus ama ao que dá com alegria'"2.
Ao crente não é cobrado o dízimo, mas a oferta, que deve ser dada segundo o coração; e como ele ofertar, Deus conhecerá o seu coração (é uma hipérbole, visto que Deus JÁ conhece o coração de cada um desde toda a eternidade).

TERCEIRO: UMA MENTIRA.
Afirmar que pelo fato do crente não estar "preso" ao dízimo, ele não deve contribuir para a igreja, ou ele pode dar qualquer ninharia que Deus se alegrará (ninharia aqui tem o sentido de você separar uma ínfima parte do que tem, as migalhas que sobraram, e não como alguns fazem parecer a passagem de Lc 21.1-4, onde a mulher deu duas moedas, mas era TUDO o que tinha). Afirmar que as ofertas para "'a obra de Deus', naturalmente, significa assalariar o cargo de pastor e pagar as contas mensalmente para manter o edifício sem dívidas"3, não parece, no mínimo, uma falta de compreensão e ignorância quanto às Escrituras e a obra de Deus (e com o próprio Deus)? Não lhe parece tendenciosa e facciosa tal afirmação? Será que TODOS os pastores estão reprovados porque uma parte deles é réproba? O crente, então, não tem de sustentar o pastor e a igreja? Qual é a base bíblica? Quais são esses versículos?

QUARTO: A VERDADE.
O crente não só deve, mas tem o DEVER de sustentar a igreja. Foi o apóstolo Paulo quem afirmou em II Co 11.7-9: "Pequei, porventura, humilhando-me a mim mesmo, para que vós fôsseis exaltados, porque de graça vos anunciei o evangelho de Deus? Outras igrejas DESPOJEI eu para vos servir, recebendo delas SALÁRIO; e quando estava presente convosco, e tinha necessidade, a ninguém fui pesado. Porque os irmãos que vieram da Macedônia SUPRIRAM a minha necessidade, e em tudo me guardei de vos ser pesado, e ainda me guardarei" (grifo meu). Paulo reprova os coríntios por não lhe terem suprido as suas necessidades. E de que os Macedônios e outras igrejas o fizeram. E ainda assim, ele pregou-lhes o evangelho.
O mesmo Paulo disse em I Tm 5.17-18: "Os presbíteros que governam BEM sejam estimados por dignos de DUPLICADA HONRA, principalmente os que trabalham na palavra e na doutrina; porque diz a Escritura: Não ligarás a boca ao boi que debulha. E: DIGNO é o obreiro do seu SALÁRIO"(grifo meu). Se o apóstolo dos gentios não afirma a necessidade de honrar os obreiros (presbíteros, pastores, missionários, etc) com o salário, não faço a menor idéia do que ele quis dizer nesta epístola.
Ao contrário, certos autores insistem em detratar os pastores, de uma forma geral, como se fossem todos eles crápulas, pústulas, uma classe de sanguessugas, cânceres sociais, a escória do mundo, criminosos... "Somos espiritualmente obrigados a PATROCINAR o pastor e sua equipe?"4 (grifo meu). A resposta é que, cada crente, deve manter, sustentar a obra de Deus, como afirmou o apóstolo Paulo. E ele diz mais! Em II Co 9.1-13 (leiam atentamente cada versículo, por favor!) lemos que Paulo os exorta a coletarem ofertas a fim de ABENÇOAR aos irmãos da Macedônia (parece que os coríntios, como muitos crentes hoje, achavam que podiam obedecer a Deus, sem cumprir o chamado de ofertar à igreja; talvez por isso, eram desobedientes em tantas outras coisas, e uma igreja fraca e cheia de tantos escândalos como o apóstolo relata em suas cartas).
Preocupado com o pouco zelo dos irmãos de Coríntios, Paulo manda uma comissão à sua frente com a epístola, para que os Coríntios providenciassem a coleta (que não era dos frutos da terra apenas, mas de dinheiro), "a fim de, se acaso os macedônios vierem comigo, e vos acharem desapercebidos, não nos envergonharmos nós (para não dizermos vós) deste FIRME FUNDAMENTO DE GLÓRIA. Portanto, tive por coisa necessária exortar estes irmãos, para que primeiro fossem ter convosco, e preparassem de antemão a vossa BÊNÇÃO, já antes anunciada, para que ESTEJA PRONTA como BÊNÇÃO, e não como AVAREZA"(grifo meu). Ele afirma que a oferta preparada para os macedônios seria uma bênção, e os exortava a que procedessem no firme fundamento de glória, e não como avareza. Há alguma dúvida de que ofertar é um mandamento para os crentes? E de que o devemos fazer como uma obediência a Deus, servindo de bênção à igreja e aos irmãos (e aos incrédulos também)? E de que glorificamos a Deus quando assim procedemos, sabendo que somos administradores daquilo que Ele mesmo nos deu e tem dado, sabendo que o nosso dinheiro não nos pertence, e de que, se o utilizamos apenas em nosso próprio proveito, nos fazemos egoístas, avarentos e de que, tanto o egoísmo como a avareza são pecados (Ef. 5.5)?
"Porque a administração deste serviço, não só supre as necessidades dos santos, mas também é abundante em muitas graças, que se dão a Deus. Visto como, na prova desta administração, GLORIFICAM a Deus pela submissão, que confessais quanto ao evangelho de Cristo, e pela liberalidade de vossos dons para com eles, e para com todos" [II Co 9.12-13 (grifo meu)].

QUINTO: UM COMENTÁRIO.
Estes e muitos outros versículos são "esquecidos" pelos detratores e inimigos da igreja. Sabemos que Satanás tem como alvo principal a igreja, pela qual o Senhor Jesus Cristo morreu. Ele não morreu pelo mundo, nem pelos que estão ou estarão queimando no Inferno; mas pelos crentes, aqueles que pertencem a Sua Igreja e Noiva. Por ela, o Senhor encarnou, andou pelo mundo, pregou o evangelho, curou, morreu na cruz do Calvário, ressuscitou, e chamou cada um de nós à conversão, restaurando-nos, vivificando-nos quando ainda estávamos mortos em ofensas e pecados (Ef. 2.1).
Muitos, usam o dízimo como argumento para não ofertar, não doar, não acolher, não ajudar, não auxiliar, tanto a igreja, como irmãos e incrédulos. Dizem que Cristo cravou na cruz toda a Lei (no que estão certos), e de que sou livre para agir, pensar, e me comportar como bem entendo, no que estou errado.
Se o dízimo não pertence à igreja, os crentes da igreja primitiva dispunham de TUDO o que possuíam. Atos 2.44-45, diz: E todos os que CRIAM estavam juntos, e tinham tudo em COMUM. E vendiam SUAS PROPRIEDADES E BENS, e repartiam com todos, segundo cada um havia de mister"(grifo meu). Quem você conhece que vendeu tudo o que possuía e entregou à igreja? Ou distribuiu-o com os irmãos? O que vemos hoje é uma igreja insensível, e irmãos igualmente insensíveis, que não obedecem a Deus; que se fingem de moucos, de cegos, de paralíticos, para não participarem da obra de Deus. Sãos os deficientes modernos, os quais precisam da cura do nosso Amado Senhor. Não digo, com isso, que se deve vender tudo, e despojar-se a favor da igreja. Isso nem é o mais importante. Mas se crentes se apegam tanto ao seu dinheiro que não o ofertam, não estarão igualmente apegados à sua velha natureza e ao pecado? Se não consigo “abrir a mão”, afim de ser uma bênção e glorificar a Deus no mínimo, poderei fazê-lo quando me for exigido o máximo, por exemplo, a minha própria vida? Será que tenho devotado meu tempo à leitura da Bíblia, à oração, ao evangelismo, aos trabalhos de discipulado e ensino dos irmãos? Ao conforto daqueles que se encontram afligidos e desamparados (não somente material, mas sobretudo espiritualmente)? Usando o meu tempo, dons e bens para a glória de Deus? Será que meus pensamentos estão em Deus, ou como narciso, vejo apenas a mim mesmo em todos os cantos? Serei capaz de algum sacrifício para glorificar o bom, misericordioso e gracioso Deus que me resgatou da condenação, quando o único lugar que mereço é perecer eternamente no Inferno?
São perguntas que devemos nos fazer. É fácil agredir as pessoas, e ser injusto. É muito fácil desprezá-las. E mais fácil ainda ignorá-las. Mas Deus nos chamou por amor, e pelo amor. E é por ele, o mesmo amor que o Senhor teve e tem por nós, que devemos ter pela igreja, pelos irmãos e por aqueles que se encontram perdidos no mundo. E o amor implica em renúncia, em entrega, em sacrifício. Não foi assim com o Senhor? Será que o nosso dinheiro é mais importante do que o nosso dever de crentes em Cristo Jesus?
Para finalizar este tópico, quero deixar-lhes o versículo de Hb 13.16:"E não vos esqueçais da beneficência e comunicação, porque com tais sacrifícios Deus se agrada".

SEXTO: CONCLUSÃO.
1)Quanto a obediência aos pastores, fico com Hebreus 13.17; Paulo diz: "Obedecei a vossos pastores, e sujeitai-vos a eles; porque velam por vossas almas, como aqueles que hão de dar conta delas; para que o façam com alegria e não gemendo, porque isso não vos seria útil".
2)Quanto a oferta às igrejas, com I Coríntios 16.1-2: "Ora, quanto à coleta que se faz para os santos, fazei vós também o mesmo que ordenei às IGREJAS da Galácia. No primeiro dia da semana cada um de vós ponha de parte o que puder ajuntar, conforme a sua prosperidade, para que não se façam as coletas quando eu chegar"(grifo meu).
3)Quanto ao sustento dos pastores, I Timóteo 5.18: "E: Digno é o obreiro do seu salário".
4)Quanto à acusação aos pastores, I Timóteo 5.19: "Não aceites acusação contra o presbítero, senão com duas ou três testemunhas" (e não genericamente, como se todos fizessem parte de uma quadrilha).
Por fim, exorto-os a seguir a Cristo, que é a cabeça, cujo corpo, nós, a igreja, devemos nos apresentar gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, mas santa e irrepreensível; onde Deus distribuiu os dons aos homens (uns evangelistas, outros pastores e doutores), querendo o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para edificação do corpo de Cristo, para que não sejamos mais meninos inconstantes, levados em roda por todo o vento de doutrina, pelo engano dos homens que com astúcia enganam fraudulosamente. Antes, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo, por Cristo e em Cristo (Ef. 4.11-16).
Sabendo que Deus detém promessas aos Filhos que doam com amor e alegria (II Co 9.6-7), e de que esta é uma forma de adoração. E só para ficar claro, essas promessas não se referem, necessariamente, a bênçãos materiais.
Finalizo com as palavras do pr. Ron Riffe sobre a questão: “Portanto, com ardente instância, recomendo que cada cristão individual "ponha de parte o que puder ajuntar, conforme a sua prosperidade" [1 Coríntios 16:2] e dê por meio de sua igreja local e de forma regular. E, se você não tem confiança que os líderes da sua igreja usam o dinheiro de uma forma responsável e honesta diante de Deus, então precisa procurar outra igreja para freqüentar! O dízimo não é requerido dos cristãos no Novo Testamento, mas devemos amar o Senhor e não nos limitarmos a dar apenas 10% de nossa renda. Observe que o verso citado anteriormente diz '... conforme a sua prosperidade’. Em outras palavras, o princípio do Novo Testamento é dar em proporção àquilo que Deus provê para nós”5.
* AVISO: 1- Quando escrevi este texto, tinha por objetivo alertar os irmãos da minha igreja quanto a um panfleto absurdamente não-bíblico distribuído por alguém que estava em nosso meio. À época, não havia estudado o suficiente sobre a biblicidade do dízimo e, com uma má-leitura da Escritura, com pressupostos errados, e uma ideia de descontinuídade entre o AT e o NT, considerei o dízimo como uma prática não cristã. Porém, decorridos alguns anos, vejo-me obrigado, por minha consciência, a colocar este alerta, pois reconheço que a minha interpretação sobre o dízimo não foi bíblica. Não há descontinuidade entre o AT e o NT, e o dízimo é, para mim, uma prática nitidamente cristã e neo-testamentária. No futuro, escreverei outro texto refutando os pontos falhos deste aqui, mas, por hora, escrevi uma pequena resposta a um irmão que pode ser lida em meu outro blog "Guerra pela Verdade".

2- Nova abordagem sobre este assunto pode ser lida no Estudo da Confissão de Fé Batista de 1689 - Aula 52: Dízimos e ofertas
 
2- Não sou seminarista, pastor, presbítero ou ocupo qualquer cargo oficial em minha igreja.

NOTAS: 1- O artigo “Salário do Pastor: um peso na carteira”, provavelmente foi extraído do livro “Cristianismo Pagão”, de Frank Viola. 2- Artigo de John MacArthur para http://www.monergismo.com/textos/dizimos_ofertas/dizimo_mac.htm , com o título “Deus requer que eu dê o dízimo de tudo quanto ganho?”.
3- Trecho de “Salário do Pastor: um peso na carteira”.
4- Idem
5- Artigo de Ron Riffe para http://www.espada.eti.br/p264.asp , com o título “O Suporte aos Missionários”.

07 fevereiro 2008

MORTE A CRÉDITO


Por Jorge Fernandes

O Carnaval acabou!
Para mim, foi um período de descanso, de leitura da Bíblia, de oração e de cumprir a vontade de Deus nos trabalhos da igreja e no meu lar. Para a maioria dos brasileiros, foi um momento de se extravasar, de êxtase, de sair, ainda que por alguns dias, da realidade. Mais uma tentativa de se obter algum alívio, um refrigério para a alma. A ilusão na qual o homem se lança a cada novo feriado, a cada nova viagem ou conquista. Passada a euforia, a quimera, resta a angustiante espera do próximo feriado, viagem ou conquista. Um círculo girando ao nosso redor, que nos agrilhoa em cadeias de metal, e do qual não saímos. É uma esperança vã, em que ao apagar das luzes, ao cair dos enfeites, fantasias e máscaras, no silêncio dos tambores e alto-falantes; ainda os corpos entorpecidos pelo álcool, drogas ou cansaço; no último esforço alardeia-se: “rico sou, e estou enriquecido, e de nada tenho falta”; mas não passa de um desgraçado, e miserável, e pobre, e cego, e nu (Ap 3.17), solitário e envolto em trevas.
As imagens na TV são de um arroubo desmedido, irrazoável, como se todos enlouquecessem de uma hora para outra, ao mesmo tempo. Equivale a aplicar doses de metanfetamina em símios e largá-los nas Lojas Americanas ao som do System of a Down, com tudo ao alcance, sem qualquer restrição. Provavelmente, os primatas se comportariam melhor do que os humanos durante a festa de Momo; o que nos leva a refletir sobre a improbabilidade da teoria da evolução de Darwin, visto que o pior espécime está no topo da cadeia, e isso é impossível segundo o seu esquema burlesco.
O que falar das estatísticas de acidentes, de mortes, de crimes praticados durante essa festa; de corpos desacordados debaixo de marquises, de fragmentos de uma alegria fugaz espalhados pelas ruas, de ébrios cambaleantes em pontos de ônibus, dos gritos que silenciaram, dos sorrisos transformados em choro, das imagens efêmeras que se dissiparão em poucas horas, da dor plantada no coração de famílias, das perdas, da tristeza, do vazio. É como o escritor Louis-Ferdinand Céline disse: uma morte a crédito.
E esta morte é inevitável; nos acompanha desde o nascimento, instala-se progressivamente, e acometerá cedo ou tarde a todos, sem exceção. E tentamos, esforçados, subjugá-la, mantê-la a uma distância segura, muitas vezes, ignorando-a. Mas como uma fera espreita a caça, ela nos ronda, nos instiga, dá-nos a falsa segurança de desistir, e mesmo que se escape vez ou outra, fatalmente nos sucumbirá.
Mas esta morte física não é eterna, Deus nos promete a ressurreição. Nossos corpos corrompidos serão transformados em corpos gloriosos. Como Cristo que morreu e ressuscitou dos mortos, incorruptível, também o seremos, pois morreu por nossos pecados. E a vitória que jamais obteríamos, Ele obteve por nós na cruz do Calvário, porque tragada foi a morte na vitória. Onde está, ó morte, o seu aguilhão? Onde está, ó inferno, a sua vitória? Graças a Deus que nos dá a vitória em Jesus Cristo nosso Senhor (1Co 15.54,55;57).
Para isso, é necessário o arrependimento dos pecados, de uma vida dissoluta, de agravo a Deus; porque o aguilhão da morte é o pecado. Ele nos mantém enredados no círculo que nos escraviza e domina sobre a nossa carne, e a carne sobre nós, e nos sujeita à morte. Em seu jugo, cremo-nos alegres, numa feliz explosão dos sentidos, que é apenas o debater-se do paralítico no pântano, sem qualquer possibilidade de socorro. Então a alegria já não é alegria, ela é a tristeza, e nos consome. Mas Cristo resgata-nos mediante o perdão, porque a tristeza no mundo gera a morte, mas a tristeza segundo Deus opera arrependimento para a salvação, da qual ninguém se arrepende (2Co 7.10).
Se o homem natural (sem Cristo) não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parecem loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente, o homem espiritual discerne bem tudo, e ele de ninguém é discernido, porque tem a mente de Cristo (1Co 2.14-16).
Se o homem natural morre pouco a pouco, o homem espiritual já vive eternamente, porque nele habita o Filho de Deus, no qual está a vida em plenitude, em glória.
O Carnaval acabou...
Resta-lhe a espera de mais um ano para, quem sabe, talvez não alcançá-lo. Se conseguir, lembre-se de que a morte avizinha-se com o golpe certeiro, e ela o manterá cativo perpetuamente.
Ao contrário, Cristo, por sua morte, nos dá vida por vida, revestindo-nos da Sua glória, e, definitivamente, jamais morreremos.