17 dezembro 2011

Estudo sobre a Confissão de Fé Batista de 1689 - Aula 11: O ateísmo secreto












Por Jorge Fernandes Isah


O ateísmo não é algo novo e que surgiu nos últimos séculos. O salmista já o denunciava a seu tempo [Sl 14.1]. Acontece que temos os ateus professos ou dogmáticos, aqueles que declaram e defendem uma fé ateísta, a fé na descrença em Deus. Ela se baseia na ideia central do movimento iluminista nos sec. XVII e XVIII de que tudo o que não pode ser explicado pela razão humana, sendo essa razão superior e final para se estabelecer todo o conhecimento humano, simplesmente não existe. Parte-se do princípio de que se deve "provar", através da razão, se tal coisa ou objeto existe ou não. A esse racionalismo segue-se o empirismo, que resumidamente advoga para si o único poder de guiar seguramente o homem ao conhecimento. Como não é possível provar experiencialmente a existência de Deus, sendo ele quem é, segue-se que ele não existe. Há uma frase célebre de Descartes, um filósofo francês, que disse: "Penso, logo, existo!". Mas ela falha preliminarmente ao não considerar que o Sol existe a despeito de eu pensar ou não. De que outras pessoas existem, também a despeito de eu pensar ou não. E que o mundo continuará existindo, mesmo que eu esteja morto e não pense mais [seguindo o padrão ateísta de que não há vida depois da morte]. Esses são os ateístas clássicos, possíveis de se encontrar em vários círculos, mesmo cristãos, e o perigo está em se retirar toda a sobrenaturalidade da existência, como se tudo fosse algo meramente natural e possível de ser explicado naturalmente.

Ouve-se muito, em discussões entre teístas e ateístas, estes dizerem que as coisas que o homem ainda não conseguiu explicar serão conhecidas um dia, bastando para isso que se decorra o tempo e o homem continue a sua evolução intelectual e científica. Para eles, tudo é sempre uma questão de tempo, principalmente para que toda a vida e o universo sejam desvendados e conhecidos. Temos aqui um "endeusamento" do homem, que em algum estágio da sua suposta evolução deterá o conhecimento total tornando-se em um "deus". Mas esse pensamento é falacioso pois, como vimos, a razão é um elemento da humanidade, portanto, finita, falha, imprecisa, e como poderia explicar um universo infinito e complexo? É a presunção e arrogância novamente se travestindo de sabedoria e superioridade, quando prova exatamente o contrário, torna o seu proponente em tolo e inferior em todos os sentidos, pois sua visão estará contaminada pela tolice e pretensão.

Mas o objetivo central desta aula não é discutir um ateísmo teórico, filosófico. Reconhecemos que esses homens têm em si o "Imago Dei" e o "Sensus Divinitatis", mas em sua rebelião deliberada, num desejo de exaltar a si mesmo e criar um ídolo à sua imagem e semelhança, rejeitaram o conhecimento de Deus que há neles, como Paulo nos diz em Romanos 1, e que pudemos abordar na aula passada. Quero falar é do ateísta prático, aquele que, mesmo não negando a Deus verbalmente o nega em seu coração. Pois, vou-lhes dizer irmãos, nesse sentido, todos fomos ateus. Surpresos? Leiamos o que Paulo tem a nos dizer: "Que naquele tempo estáveis sem Cristo, separados da comunidade de Israel, e estranhos às alianças da promessa, não tendo esperança, e sem Deus no mundo" [Ef 2.12].

No verso anterior, o apóstolo diz que os efésios eram, em outro tempo, gentios na carne, ou seja, em dado momento de nossas vidas, antes da conversão, do chamado de Deus para vivermos a glória da regeneração em Cristo, éramos ateus, pois vivíamos sem Deus. Lembram-se que a palavra ateu quer dizer "sem Deus"? Pois bem, todos nós, sem exceção, ainda que tendo o conhecimento inato de Deus, o qual o próprio Deus colocou em nosso coração, vivemos sem ele, até que sejamos por ele transformados. De criaturas em filhos. Pois há a falsa ideia de que todos os homens, sem exceção, são filhos de Deus. Mas não é o que a Bíblia nos diz: "[Cristo] veio para o que era seu, e os seus não o receberam. Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, aos que crêem no seu nome; os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus" [Jo 1.11-13]. Portanto, apenas aquele que crê, e para crer tem de ser pela vontade divina não pela vontade do homem ou da carne, é filho de Deus. As demais pessoas são criaturas, não têm vínculo filial com ele.

Paulo se refere aos efésios e, por tabela, a todos nós que vivíamos segundo a carne e pela carne, como ateus práticos. Eles não negavam a existência de Deus, pelo contrário, eles cultuavam outros deuses. E, muitos, diziam servir a Deus, amá-lo, honrá-lo. Porém, suas vidas revelavam o contrário. Ao darem vazão aos seus instintos e intentos carnais eles negavam a Deus ignorando-o, fazendo exatamente tudo o que lhe afrontava, pervertendo os seus caminhos, afastando-se de todo o seu conhecimento, desobedecendo-o e rejeitando os seus preceitos.  Eles, como nós, viviam para satisfazer os seus prazeres e desejos, na forma do pecado, e assim seus discursos eram aparentemente piedosos, reverentes, mas em seus corações e em suas vidas havia apenas a descrença em Deus: "Confessam que conhecem a Deus, mas negam-no com as obras, sendo abomináveis, e desobedientes, e reprovados para toa a boa obra" [Tt 1.16], resume o apóstolo.

O fato de usarem o nome de Deus não os faz dignos dele; pois o Deus que diziam servir e adorar nada tinha a ver com o Deus vivo e verdadeiro, o Deus bíblico. E é aqui que o problema tem contornos ainda mais dramáticos; pois eles, como nós, criavam a ilusão de estar servindo a Deus, de cultuá-lo, de se colocar a seu serviço, quando não queríam nada com ele. Elegeram um Deus "postiço", um substituto, e o fizeram objeto de adoração. É o que Paulo diz aos atenienses: "Porque, passando eu e vendo os vossos santuários, achei também um altar em que estava escrito: AO DEUS DESCONHECIDO. Esse, pois que vós honrais, não o conhecendo, é o que eu vos anuncio" [At 17.23]. A partir daquele momento, Paulo lhes apresentou o Deus vivo, o único Deus, o qual não substituiria todo o panteão de divindades gregas dos atenienses, mas as destruiria, porque Ele, como criador de todas as coisas, e quem dá a todos a vida, e a respiração, e todas as coisas [v. 24-25], "não tendo em conta os tempos da ignorância, anuncia agora a todos os homens, e em todo o lugar, que se arrependam" [v.30]. E, arrependam-se de que? Ora, de ignorá-lo como único Deus, e fazerem para si deuses de várias formas, e assim manterem enraizadas em seus corações a depravação e a rebelião contra ele.
  
Quando ouço coisas do tipo: "Não leio a Bíblia, mas eu sirvo a Deus", pergunto para a pessoa: Mas a qual Deus? Elas, na maioria das vezes, dizem servir a um Deus que não podem identificar, um Deus indeterminado, impessoal. Ele estaria mais para uma entidade abstrata e imprecisa, e, como servir e adorar o que não se conhece ou pode conhecer? Então, normalmente dizem: "Esta é a minha fé, e Deus a aceita como ela é!". Nisso há alguma razão. Ele tem uma fé que não é sobrenatural, que não provém de Deus, mas uma fé humana, claudicante, frágil e enganosa. Uma fé gerada em seu próprio coração iníquo. E que o lança ainda mais na ilusão ao afirmar que Deus a aceita como ela é, mas como sabê-lo? Deus falou diretamente com ele? Ou não passa de uma suposição, um pensamento derivado da sua necessidade de manter-se distante e protegido da verdade?

Todos fomos assim um dia; ateus práticos, que não dizíamos negar a Deus, mas o negávamos diariamente mantendo-nos ignorantes quanto a ele, mantendo-nos distantes dele, presumindo que os nossos conceitos e opiniões pudessem ser superiores à Revelação escriturística, de forma que ela fosse dispensável. De forma que tanto a moral que tínhamos, como a ética, como o julgamento, eram claramente uma indisposição, uma má vontade contra ele.

Qualquer um que diga conhecer e servir a Deus fora dos padrões estabelecidos pelo próprio Deus é um ateu prático. Certamente ele não professará a fé ateísta, mas se manterá como um ateu secreto. Por isso, tanto o ateu militante e teórico, como o ateu não-militante e secreto, necessitam desesperadamente da redenção, a redenção da mente, da alma, do espírito, somente possível através de Cristo, o único mediador entre o homem e Deus. Se Cristo não estiver ali, unindo as duas partes, elas permanecerão distantes, irreconciliáveis. Ele que "é a imagem do Deus invisível" [Cl 1.15], pelo seu sangue derramado na cruz trouxe-nos a sua paz; a nós que éramos inimigos no entendimento pelas nossas obras más, agora nos reconciliou, nos apresentando santos, e irrepreensíveis, e inculpáveis [Cl 1.20-22]. Por isso, o mundo labuta tanto contra Cristo, e há uma obra em progressão que faz as pessoas terem a ideia de que se é possível apresentar-se dignamente diante de Deus por si mesmos, sem a intermediação do Redentor. As pessoas concentram suas forças no mérito pessoal, na capacidade que consideram ter de, em si mesmo e por si mesmos, achegarem-se a Deus. Também é visível que o homem cria cada vez mais um Deus impessoal, um Deus genérico, capaz de reconhecer em cada indivíduo o seu esforço ou até mesmo esforço algum, numa contradição somente possível aos homens, naufragando em sua própria estupidez. Um Deus assim seria um Deus despropositado, senil, autista e esquizofrênico. Capaz de reconhecer tudo e nada ao mesmo tempo, verdade e mentira, realidade e ilusão, santidade e corrupção, de maneira que ele seria um Deus sem pessoalidade, indefinível. Esse é o desprezo máximo a Deus, saber que ele existe, mas viver sem Deus no mundo, como um ateu.

Nota: [1] Para baixar o áudio para o seu computador ou dispositivo móvel clique em Aula 11.MP3
[2] Aula da E.D.B. do Tabernáculo Batista Bíblico  em 04/12/2011

11 comentários:

  1. Graça e Paz Jorge,

    Dizem que a prática conduz à perfeição, e é isso que tenho visto em seus últimos posts. Cada vez melhor!

    Você é cassacionista, correto? Mas acho que você possui um dom especial, o de encontrar imagens incríveis para ilustrar as postagens, a que ilustra este post é fantástica!

    Estou acompanhando "de longe" esta série de estudos.

    Ednaldo.

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  2. Ednaldo,

    Sou mesmo cessacionista, mas creio em dons, e Deus os distribuiu generosamente entre o corpo, apenas não creio na continuidade dos dons apostólicos, como o falar em línguas, profecias, etc.

    Não acredito que uma imagem vale mais do que mil palavras, como se diz por aí, mas que dá para substituir por umas dez ou doze, isso dá! [rsrs].

    Bem, há casos em que as palavras podem realmente não dizer nada, ou confundir mais do que explicar, então, por via das dúvidas, procuro escolher sempre uma imagem que possa, até mesmo, substituir a ruindade do texto [rsrs], dando sentido à postagem que o texto não deu.

    Mas gosto realmente de imagens, talvez por ser um fotógrafo frustrado, entre tantas frustrações que tenho, como a de não ser maestro, astronauta e neurocirurgião...[rsrs].

    Grande abraço!

    Cristo o abençoe!

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  3. Eu ia falar das imagens, mas escritor e amante de boa literatura tem afinidades com outras liguagens da arte, no caso fotografias artísticas. Ainda não li o post atentametne, estou apenas com alguns parcos minutos do meu almoço...

    De uma forma ou de outra o Jorge escreve muuiito bem.

    Não sou cessacionista, nem pentecostal, nem neopentecostal, nem reformado e nem gosto de tudo o que a Bíblia revela ( isso pode parecer estranho a muitos ) mas acato o que ela diz cem e dez por cento...

    Nada contra a opinião do irmão do Jorge ou de outro irmão com respeito aos dons e a sua continuidade deles como dons apostólicos, mas nesse caso ou em qualquer outra situação, a nossa opinião ( qualquer que seja não muda a realidade bíblica ). Há portanto uma verdade bíblica que não é afetada por posição teológica alguma, embora repito o esforço racional teológico embora seja legítimo muitas vezes impugna a operação real de Deus.

    Aí temos sim um ateísmo particular, crê-se na existênca de Deus, mas não conforme é revelado nas Escrituras, pelo menos integralmente,tem-se um outro Deus de preferência e caráter particular.

    Todos nós temos essa postura referente a um ou outro ponto, em maior ou menor monta, erramos todos da mesma maneira. Aí cada um examine-se a si mesmo.

    Uma braço a todos.

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  4. Helvécio,

    somente agora pude responder, na postagem anterior, o seu questionamento sobre a Criação perfeita ou imperfeita. Vá lá, leia, e se ficar mais alguma dúvida, manda bala!

    Abraços

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  5. Caro irmão Jorge, postei uma respota lá no post em questão.

    Uma segunda parte aqui. A "imperfeição" apontada por físicos e biólogos ela é real e a partir dela tenta se destruir a idéia de um ser perfeito para explicar a perfeição da criação criada pela maioria dos cristãp e até dos demais deístas não cristãos.

    Sei que as suas razões são diversas das deles para apontar uma "imperfeição" na criação, e não digo que seja essas razões iguais, são de fato diferentes, mas cocluem o mesmo: a criação é imperfeita.O que eu particularmente discordo. Mas isso é por ora irrelevante como dilema. por concordamos no que é mais importante.

    Um abraço.

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  6. Olá Jorge.
    Gostaria de comentar alguns detalhes importantes do texto acima. Penso que utilizar a palavra fé para designar qualquer comportamento de um ateu é, no mínimo, engraçada, já que ateus não possuem fé de nenhum tipo. Colocar "fé ateista", a meu ver, apenas ridicuraliza a sua "própria fé", já que a possui. Não se trata de "fé ateísta", uma vez que todo ateu, depois de muito procurar por evidências, de usar o raciocínio, a lógica e o bom senso, não acredita em sobrenatural. Então, a palavra "fé" como utilizou, não tem cabimento.
    Quanto a sua afirmação "as coisas que o homem ainda não conseguiu explicar serão conhecidas um dia, bastando para isso que se decorra o tempo e o homem continue a sua evolução intelectual e científica", de fato, a medida que a ciência se desenvolve, todos os mitos existentes em livros sagrados, como a bíblia, por exemplo, são desmistificados: a terra já foi plana, já foi o centro do universo, o sol já girou ao seu redor, foi criada em seis dias etc etc. A única coisa que ainda os crentes se agarram é na origem da vida. Não sei se sabe, mas a ciência já conseguiu criar a primeira célula artificial. Então, assim como a teoria da evolução nos diz como a vida evolui, não como ela nasceu, como muita gente confunde, é questão de tempo para que o homem crie o primeiro ser vivo artificial. Daí, pergunto, o que vai sobrar para os crentes? Nada, apenas críticas ignorantes, de botequim. Concordo que a razão é falha, assim como qualquer comportamento ou qualidade humanas, inclusive a fé. Basta ver todos os erros pronunciados e cometidos em nome da fé, sejam eles relacionados ao que está escrito na bíblia, seja nas mortes causadas em seu nome.
    A ciência, método científico, razão, lógica, raciocínio, evidências...são as melhores criações da natureza para que o homem liberte-se do sobrenatural. Prova disso, é o computador que você usa para ter esse blog, seu celular, o alimento farto que desfruta, os medicamentos que já utilizou e vai utilizar, seu automóvel, o avião, enfim, tudo isso foi e é graças ao esforço de pessoas que você critica por serem racionalistas, ateus, enfim, que pensam. Não importa quantas bíblias tenham, quantas orações façam, quantas penitências suportem, o fato é, que sem a ciência e seu braço direito, a tecnologia, nada do que você, sua família, seus parentes, sua igreja desfruta, seria possível.Nenhum outro tipo de conhecimento é capaz disso. Cabe uma pergunta: afinal, quais os outros tipos de conhecimento capazes dessas proezas?
    Concordo que todos somos ateus, porém, sou apenas um pouco mais ateu que você, por que não acredito que exista nenhum deus,nem o seu.
    Para terminar, é erro comum e infantil perguntar se acreditamos ou não em deus, como se ele existisse e o ateu não quisesse acreditar. É uma falácia ingênua. A pergunta correta é se existe um deus qualquer. A resposta de qualquer atéu é que não acredita na existência de qualquer deus e não apenas no deus que algum povo antigo criou, com ou sem inspiração. A própria palavra ateu é errada, como se a suposição de um deus fosse fato e caberia apenas acreditar ou não. Penso que as pessoas que se dizem crentes em qualquer deus deveriam se esforçar para mostrar as evidências desse deus e não ficar criticando quem não acredita em sobrenatural. Usar o que está escrito em algum livro antigo não é evidência, falar que sente a presença...também não é evidência. Cabe a vocês, que tem fé, mostrar as evidências desse deus que tanto defendem.
    Peço desculpas se causei contrangimentos ou se ofendi alguém com minhas palavras, mas acredito que é possível o diálogo entre pessoas que não tem o mesmo ponto de vista, mas que tornam público, uma opinião.
    Abs e tenha um excelente final de semana.
    Moisés Perecin

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  7. Moisés,

    tem certeza de que você não professa uma "fé ateísta", em vista da sua "pregação" conter nítidos elementos da mais simples credulidade? Ainda que você pareça racional e sofisticado, os elementos do seu comentário são os de um crente.

    Bem, você dirá que tem evidências científicas, e evidência é algo incontestável, que todos veem e podem verificar, então, pergunto: todos veem e podem verificar a não existência de Deus? E, todos veem e podem verificar suas evidências naturalistas? Onde? Quando? Se não podem fazê-lo com suas "evidências", por que exigem que façamos antes de vocês? E, ainda, qual o seu critério para definir o que é evidente ou não? A antiguidade exclui prontamente qualquer evidência? E a atualidade a torna insofismável?

    Mas suas contradições são percebíveis, até por um ignorante como eu, como você fez questão de dizer, educada, mas diretamente. Senão vejamos uma de suas frases:
    "A ciência, método científico, razão, lógica, raciocínio, evidências... são as melhores criações da natureza para que o homem liberte-se do sobrenatural". Se tudo provém da natureza [a deusa Gaia, ou o nome que você quiser dar à sua divindade], o sobrenatural também, e quem lhe garante que ela deseja libertar o homem daquilo em que ela mesmo o prendeu? Se ela não é capaz de saber o que é melhor, prender ou libertar, porque devo confiar nos seus métodos para dizer se devo ou não crer em Deus?

    Vocês nos acusam de repetir um mesmo discurso, e de não sair do círculo vicioso, mas vocês não cansam de repetir as mesmas coisas, como as guerras em nome da fé [a fé ateísta, por exemplo, fez com que Stalin, Mao, Pol Pot, entre outros menos cotados, exterminassem muito mais pessoas do que todas as guerras religiosas na história], e o desconhecimento [quem me garante que, seguindo o seu padrão, tudo o que você afirmou não será um erro no futuro?]. Para isso, vocês demonstram uma nítida ignorância bíblica, ao afirmarem que a Bíblia diz o que ela não diz. Ouvem o galo cantar, mas não sabem onde; e, ainda por cima, se consideram doutores em Bíblia sem jamais terem lido uma linha ou porcamente o fazem em algumas.

    Vou-lhe dizer o que já disse por aqui, em outras postagens, a colegas seus: vocês apelam para a ciência como se ela fosse a "deusa" a guiá-los em seus dogmas. O que existe é um princípio filosófico, o materialismo, escorado na ciência que, por seu lado, depende do materialismo filosófico para capengar e não cair de vez.

    Por isso, não sou crente em "qualquer deus", mas no Deus vivo e verdadeiro, o qual é o Pai do nosso Senhor Jesus Cristo. De forma que o seu discurso, novamente, afirmo, aparentemente racional e sofisticado, somente revela o seu desprezo e pouco-caso, ao qual você denomina "diálogo"; sem se importar com o desconhecimento que você tem mas faz questão de acusar nos outros.

    Outra coisa, eu não sou ateu, e você jamais poderá ser mais ateu do que eu, pois se não sou, não há possibilidade de você sê-lo ainda mais. O que eu disse, e revela que você leu superficialmente o texto, é que todos somos ateus ao nos rebelar contra Deus, e, somente pela sua graça e misericórdia, ele levá-nos ao conhecimento da verdade, o seu Filho Amado. Em outras palavras, tanto faz crer em deus ou no não-deus, apenas a crença no Deus bíblico faz do homem um crente. Enquanto isso não acontece, todos, mesmo os que enchem suas paredes e mentes de divindades, continuam ateus. Portanto, já estive no rol ao qual você pertence [ou seja, vocês são maioria, em todos os lugares e épocas], mas jamais voltarei a ele, pelo poder de Deus que opera em mim.

    Bem, é isso!

    Ótimo fim-de-semana para você também.

    Cristo o abençoe! [Não é, definitivamente, uma provocação, mas o desejo sincero de que isso aconteça].

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  8. "Prova disso, é o computador que você usa para ter esse blog, seu celular, o alimento farto que desfruta, os medicamentos que já utilizou e vai utilizar, seu automóvel, o avião, enfim, tudo isso foi e é graças ao esforço de pessoas que você critica por serem racionalistas, ateus, enfim, que pensam" - Moisés, você está dizendo que todo avanço científico foi realizado por ateus? rsrsrsrs Rapaz, você fugiu da escola? É melhor você retornar aos livros de história e rever essa afirmação tão desconectada da realidade. O que você afirma é uma enorme mentira. Pense melhor.

    Abraços sempre afetuosos.

    Fábio.

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  9. Fábio,

    outra questão em que o Moisés erra é quando coloca a "Natureza" como um ser pensante, propositivo, e volitivo, a criar, através de seus súditos, os meios pelos quais o mundo se desenvolverá. No fim-das-contas, ele substitui Deus pela "Natureza" [com "N"], ainda que vá alegar a aleatoriedade, casualidade, falta de propósito, etc, o que piora ainda mais a sua situação. Os ateístas se irritam quando os chamamos de "crentes", mas se não for com base na fé [uma fé humana, diga-se de passagem; ao contrário da fé divina que move o crente ao conhecimento e entendimento de Deus e sua obra], inclusive, a de crer em teorias como o evolucionismo, da qual a maioria das pessoas ouvem, leem, e creem, pois as tais "evidências", mesmo entre os seus mais ferrenhos defensores, não são unânimes, a despeito da mídia assegurar que são [e uma multidão de pessoas se tornam "crentes" no darwinismo sem ao menos estudar as suas mínimas implicações, apenas como um replicador, um papagaio, a propagá-lo]. O que existe é uma ditadura darwinista, e quem não se enquadrar no seu escopo estará fora, literalmente, das discussões e pesquisas científicas; sendo, comumente chamado de ignorante [com variações de intensidade, mas sempre com o mesmo objetivo].

    A ciência nunca foi um lugar tranquilo onde dogmas se sedimentam e todos são obrigados a aceitá-los cegamente; mas é o que está posto e tem sido defendido com unhas e dentes. Parece que o espírito humanista, levado às suas formas mais radicais, tenciona apenas escravizar e emburrecer o homem, ao ponto dele não mais poder ser reconhecido como tal. O controle da mente e do pensamento que, invariavelmente, vem pelo controle da linguagem faz com que palavras como evolução, darwin, naturalismo, e acaso, sejam sagradas, enquanto outras como Deus, propósito, e criação sejam malditas. Para, então, os sábios deste mundo não se reconheçam como os ignorantes que acusam os outros mas não reconhecem em si mesmos o que tão prontamente veem, assim como suas "evidências".

    E o que acabam por construir é uma mentalidade linear, dentro de um padrão baixo de pensamento, onde é vetado ao homem, inquirir, questionar, pensar. Por ironia, são eles que se autodenominam "livres pensadores", mas, serão mesmos? Ou será apenas mais uma "evolução" da novilíngua, restringindo o pensamento?

    Quanto ao ponto levantado por você no comentário do Moisés, ele deve ter fugido mesmo das aulas de história, ou foi muito bem doutrinado a não reconhecer os registros, e apenas propagar um discurso falacioso.

    De minha parte, sejam quem forem os homens por trás do desenvolvimento científico humano, sempre verei Deus como aquele que providencia todas as coisas, capacitando-os e guiando-os a fim de que o seu plano eterno se cumpra na história. Para que em tudo reconheçamos o seu poder, sabedoria, e glória. Sem precisar exaltar o homem, dourar a pílula, ou erigir um trono de papel, na tentativa vã de destituir o Senhor do seu trono eterno.

    Grande abraço!

    Cristo o abençoe!

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  10. Bem deixe eu participar desse último capítulo...talvez eu contribua com algo.

    Caro Moisés, o Jorge não lhe disse, mas eu pretensiosamente digo em nome dele, pois o conheço suficiente: volte outras vezes a esse blog, e manifeste-se, não há problemas em falar mesmo na discordância sobre algo.

    Outra coisa, eu nunca fui ateu, e passei de uma pergunta descabida à experiência de crer na realidade de um Deus pessoal. É uma história mais ou menos longa.
    O irmçao Jorge tambpem passou de religioso a ateu e a crente. Faz parte da vida pessoal de cada um e espero que você atravesse essas três etapas.

    Em geral, um ateu passa por alguns estágios legítimos:
    aprendizado religioso ( católico-romano, judáico, protestante tradicional ), critica e revisão da visão religiosa pessoal e dos outros ao seu redor e deslumbramento ante a ciência e filosofia contemporâneas.

    Não tem ateu "homem das cavernas", os ateus se consideram participantes da minoria com acesso a educação e informação contemporâneas considerando os que não lidam totalmente ou particularmente com elas sejam ignorantes ( esquecem que religiosos pormaisdescabidas que sejam as teologia cridas por eles não são estritamente sem escolaridade, muita informaçao e cultura). Não sou catolico-romano, mas dizer que papa Bento XVI é ignorante para criticar o fato de ser pelo menos deísta, é uma injustiça e atitude tendenciosa.

    Nem sempre religiosos, crentes, são igonrantes e nem sempre ateus são de fatos eruditos e cultos. Aliás isso é irrelevante para essa consderaçao em particular.

    Quanto ao sobrenatural é temerário deizer que não existe, pela pŕopria etnmologia da palavra: além do natural. O universo como porcamente conhecemos é seria única relidade? Nem por mais estrita hipótese "científica"...logo dizer que "Deus" não existe é razoavelmente um disparate. Posso não saber como e quem ele é, mas é uma séria possibilidade. Se Deus não existe, o homem seria esse "deus" de si mesmo, pois diferente das galáxias, estrelas, planetas, rochas e batatas, ele ( o homem ) pensa sobfre si e sobre a relaidade que o rodeia e sustenta a sua vida. ah...mas se não é o homem o ser racional de ponta, então seria um ET mais "evoluido" que ele, e aí tem-se ridiculamente um outro "deus", ou outros "deuses" todos mais patéticos que o própro homem, e tão, tão aquém do deus que a Bíblia apresenta.

    Logo Deus ( com "D" maiúsculo ) deve existir...para você Moisés, e para qualquer um de nós, deve ser buscado. Não perca seu tempo negand-O pois se mostrará inimigo dele. Sinceramente busque-o, e busque-o acima dos traumas e contradições religiosas, seja de que igreja forem.

    Buscar-me eis e me acharesi quando me buscares de todo o vosso coração...diz certo texto da Bíblia...

    Há um testemunho do Jorge publicado em um de meus blogs com muito orgulho por sua experiência com Deus, junto cm outros assuntos, se puder visite mas não o deixe de dialogar com o Jorge aqui no Kálamos.

    Em:http://contandoosnossosdias.blogspot.com/2010/10/testemunho-aniversario-de-novo.html

    O seu nome significa: "tirado as águas", que Deus se revele a você tirando-o das águas do desconhecimento de Deus.

    Um abraço.

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  11. Helvécio,

    faço suas, as minhas palavras.

    Abração!

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