09 fevereiro 2012

Estudo sobre a Confissão de Fé Batista de 1689 - Aula 17: Os Atributos Incomunicáveis de Deus




 Por Jorge Fernandes Isah


INTRODUÇÃO

Primeiro, uma correção. Na aula passada eu disse que iríamos estudar quatro atributos incomunicáveis, e enumerei-os: a autoexistência, independência, unidade e imutabilidade. Contudo, eu me equivoquei ao relacionar a independência como um atributo distinto da autoexistência, sendo que os dois representam um mesmo atributo. Em seu lugar, o correto seria eu dizer infinidade ao invés de independência. Assim, a relação correta dos atributos ficaria, corrigido o erro: autoexistência ou independência, unidade, infinitude e imutabilidade.

Então, agora, começaremos o estudo dos atributos incomunicáveis, cujo termo foi definido na aula passada. Contudo quero reafirmar algo que disse anteriormente, ou seja, o de que não entendo os atributos incomunicáveis como não sendo comunicáveis, de alguma forma, ao homem. Com isso, não quero dizer que Deus os comunica aos homens, no sentido de que o homem poderá refleti-los de alguma maneira, reproduzindo-os; não é isso. Porém, se fossem realmente incomunicáveis não seria possível que os compreendêssemos, ainda que limitadamente, e, por eles, Deus nos revelasse algo do seu ser. O próprio fato deles estarem descritos na Bíblia transmite-nos a ideia de que Deus os está comunicando aos homens, em linguagem humana, racional, mas ainda que parcialmente, o seu entendimento pode ser apreendido pelo homem, de forma a revelar a majestade, esplendor e glória divinas, tornando-se possível ao homem compreender o quanto ele é incomparável.

Desta forma, Deus se faz conhecido, e o glorificamos naquilo que conhecemos, sabendo que, por mais bem definidos que sejam esses atributos, teremos a compreensão parcial, fragmentária, insuficiente do seu ser infinito, eterno e perfeito.

Outro ponto que ressaltarei é de que a enumeração ou enunciação dos atributos divinos não os tornam separados do todo, e o nosso entendimento somente poderá ser correto se entendermos que todos os atributos estão intrinsecamente relacionados, de forma que a autoexistência depende completamente e é completadora da infinitude, da eternidade, da independência e da unidade de Deus; pois, sendo perfeito, todos os atributos que compõem a sua essência, natureza e caráter não se manifestam separadamente, nem há proeminência de um sobre o outro [o que, caso acontecesse, implicaria na superioridade de um ou mais atributos sobre os demais, tornando-o um ser partidário e fragmentado], de forma que não poderemos dizer jamais que ele é mais eterno do que infinito ou independente, exatamente porque não há graus de infinitude ou eternidade ou unidade ou independência em Deus, mas de totalidade absoluta em suas virtudes.

A forma como entendemos e compartimentamos as qualidades divinas é que nos fazem imaginar divisões do seu ser, visto ser impossível para nós compreendê-lo em sua totalidade. Por isso a Escritura, utilizando-se da linguagem humana, nos apresenta o Senhor de maneira progressiva, ressaltando ora uma de suas qualidades, ora outra, e ainda outra. Senão, ser-nos-ia impossível a compreensão mínima, ou até mesmo qualquer nível de compreensão do ser divino. Com isso, ficam evidenciados outros de seus atributos: a bondade e a misericórdia de se fazer conhecer, ainda que não completa mas suficientemente, para que percebamos o amor com que cuidou se revelar em um nível muito abaixo de todo o seu ser. Penso que Deus esculpiu maravilhosamente, através das palavras e imagens, a realidade que, por causa do pecado, nos escapou, e nos seria impossível apreender, se ele cuidadosamente não as elaborasse como o artesão máximo, em inúmeros detalhes, tão profundamente reais que nos atordoam em sua absoluta verdade.

Por que Deus fez assim? Por que não nos deu uma mente superior para melhor apreendê-lo? Por que não inibiu em nós os efeitos noéticos do pecado? Por quê? Não sei, nem tenho respostas. Porém posso afirmar que, em sua perfeição, esta não foi uma entre muitas opções, mas a única decisão possível, pois sendo perfeita, não poderia disputar com outras opções, na impossibilidade de Deus cogitar algo imperfeito. Sendo a sua obra a realização da sua vontade, essa vontade é única, sem variantes, e sua obra perfeita, o plano sem defeitos, revelando outro dos seus atributos, a imutabilidade, que como os demais encontram-se em harmonia, não havendo qualquer variação. Com isso não quero dizer que todos os elementos da obra divina sejam perfeitos, pois, caso fossem, seriam uma recriação de si mesmo. A obra é perfeita, e na sua perfeição, mesmo o pecado, os anjos e homens caídos, e o mal, são elementos negativos mas que cumprem no todo a vontade perfeita de Deus.

Também não sei como isso se dá, mas o certo é que todos os aspectos da obra divina cumprem precisamente tudo aquilo que Deus determinou e estabeleceu eternamente, e que, como tal, no tempo, revela-nos distintamente o seu caráter, a sabedoria suprema com que conduz todas as coisas, sem que nenhuma delas escape-lhe ou aconteça à revelia da sua vontade.

Creio que, somente por este ponto, já temos a mostra de como é incompreensível para nós, numa forma geral e absoluta, entender todos os aspectos que envolvem o ser de Deus. Porém temos a obrigação de aceitá-los assim como nos revelou, para que dessa forma o nosso entendimento seja renovado, e experimentemos “qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade Deus” [Rm 12.2]. E ele, em nossas mentes e corações, sempre seja verdadeiro.

A AUTOEXISTÊNCIA DE DEUS

Somos seres temporais, que têm início e fim; mas ainda que nossa alma seja imortal, a forma como somos e nos conhecemos hoje, terá um fim, pois assim como nascemos um dia, também morreremos em algum lugar no tempo. Esta ideia está presente em nossas vidas, assim como a de espaço, o que nos torna em seres essencialmente temporais, limitados pelo tempo e espaço. Por isso a dificuldade em entender e muitas vezes aceitar a complexidade do ser divino. Para nós é sempre mais difícil, pois nossos parâmetros encontram-se em oposição ao eterno, pois estamos sempre dispostos a olhar ao que está de contíguo a nós, ao redor, ao alcance das mãos. Com isso, raciocinar sobre a autoexistência divina nos coloca na situação de compreender algo que vai muito além do nosso entendimento e da nossa realidade. O que não quer dizer que Deus seja irreal, mas ele habita numa realidade impossível para nós, e que nos revela a sua singularidade, e a distância que existe entre a perfeição do seu ser e a nossa humanidade imperfeita.

Deus existe em si mesmo, ou seja, ele não necessita nem precisa de nada para existir. Ao contrário do homem que depende de Deus para a sua existência, não somente na criação mas na manutenção da vida, tanto física como espiritual, Deus é independente em seu ser, e independente em tudo o mais. A sua própria perfeição imanente, a de não ter sido causado, é a razão da sua existência. Por ser Deus eterno, não há uma causa para a sua existência, logo Deus não é a causa de si mesmo. Ele é! [alguns dirão não ser uma resposta que explique Deus]. Mas haverá respostas para o ser eterno, perfeito e infinito além da sua eternidade, perfeição e infinitude? Logo Deus não é a origem de si mesmo, posto não ter origem. Deus não é o início de si mesmo, pois não tem princípio. Nem mesmo é o fim de si mesmo, pois não tem fim. Se há causas para a existência de Deus, elas estão ocultas nele, pois a sua vida não vem de fontes externas. De forma que ele permanecerá sempre o mesmo, imutável. Deus é incomparável [Is 40.18] e independente em todas as coisas, seja na sua vontade [Rm 9.19. Ef 1.5], poder [Sl 115.3], conselhos e intentos [Sl 33.11].

Vejam bem que, apenas para definir a autoexistência divina, utilizei de alguns dos seus atributos que se encontram interrelacionados: eternidade e imutabilidade, por exemplo. É impossível se tratar de um atributo e entendê-lo isoladamente como se estivesse à parte do todo, seccionado, e fosse independente dos demais. Deus é unidade, e como tal, nada pode ser separado ou distinguido, como já disse.

Assim a autoexistência de Deus nos remete à perfeição do seu ser, o qual é autossuficiente em si mesmo, sem que nada possa afetar a sua existência. Antes da Criação, Deus estava em plena satisfação e felicidade em si, e assim continua após ter iniciado a sua obra. Ele é a vida, e por ele tudo existe, vive e se move [At 17.28]. Somente ele sabe como é que existe, por que existe, e porque sempre existirá. Esse é um mistério que o homem provavelmente jamais entenderá, dada a sua complexidade, profundidade, a qual a mente humana é insuficiente para abarcá-la. Por mais que imaginemos possibilidades, elas não passarão de possibilidades, de capacidade imaginativa e especulativa, em que a dúvida é a convicção, sem que sejamos impedidos, contudo, de reconhecer, crer e aceitar como a mais verdadeira, evidente e fundamental base da realidade do ser de Deus a sua autoexistência. E ela está mais do que viva nas palavras de Cristo: “Porque, como o Pai tem a vida em si mesmo, assim deu também ao Filho ter a vida em si mesmo” [Jo. 5.26].

Aqui, farei um aparte. Muitos podem entender que Cristo tem vida em si mesmo dada pelo Pai. Mas o que ele está dizendo não é nada disso. O que ele diz é que o Pai tem a vida em si mesmo, e assim como o Pai, o Filho também tem a vida em si mesmo. Seguindo esta afirmação, podemos dizer, acertadamente, que o Espírito Santo também tem a vida em si mesmo. Não é possível que o Pai tenha dado ao Filho a condição de ter vida em si mesmo. Ou o Filho tem a vida em si, ou o Pai é quem lhe deu a vida. As duas proposições são irreconciliáveis, e se autoanulam. Se entendemos que o Pai deu a vida ao Filho, como os unitaristas acreditam, como o Filho poderia ter a vida em si mesmo? Ela não depende dele, mas do Pai. Logo, não há vida no Filho, no sentido de ele tê-la em si, mas apenas como doação do Pai. Da mesma forma que nós temos vida em nós mesmos, sem que, contudo, tenhamos controle sobre ela, pois não depende de nós vivermos ou morrermos. Porém, em relação a Cristo, a Escritura claramente indica que a vida estava nele, assim como ele estava com Deus e era Deus [Jo 1.1- 4].

Alguns poderão dizer que a vida a qual o Senhor se refere é a vida humana, a sua natureza humana, mas como o homem Jesus poderia ter vida em si mesmo? Não poderia. Para tê-la, ele teria de ser eterno, e sabemos que o homem Jesus não é eterno, posto ter nascido, crescido e morrido. Este é apenas um preâmbulo sobre a eternidade do Filho, que será mais bem estudada quando falarmos da Segunda Pessoa da Triunidade.

Outro ponto a ser ventilado é o de que o homem, em sua rebeldia e pecado, imagina-se independente de Deus. Ele crê erroneamente que é um ser autônomo, que sua vida é ditada exclusivamente por sua vontade, e de que Deus nada tem a ver com ela. Essa atitude está ligada ao desejo do homem de ser como Deus. Foi assim no Éden e ainda é hoje. Por isso o homem se considera “livre” de Deus, mas se ele é o Senhor do universo e de todas as coisas, como pode o homem ser livre de Deus? Em Dn 4.35 lemos: “E todos os moradores da terra são reputados em nada, e segundo a sua vontade ele opera com o exército do céu e os moradores da terra; não há quem possa estorvar a sua mão, e lhe diga: Que fazes?”. Nabucodonosor reconhece que Deus pode utilizar os meios que quiser para cumprir os seus propósitos, tantos os anjos no céu, como os homens na terra. Ele faz todas as coisas conforme a sua vontade independente, sem qualquer interferência externa a ele, exatamente porque também o seu poder é independente e opera conforme a sua vontade independente. Ou seja, Deus não precisa de ninguém para elaborar os seus planos eternos, e de nenhuma força que o auxilie na execução desses intentos. Ele pode tudo, e nós nada podemos sem ele [Is 40.28-29].

Tem-se claramente que a independência não é um atributo que Deus compartilha com o homem. Apenas a soberba, a arrogância e o desconhecimento do ser divino podem levar o homem a imaginar-se independente de Deus, como se possível fosse ser como ele é. A autoexistência e independência divinas deveria nos fazer humildes, e buscar incessantemente um relacionamento de sujeição e adoração a ele, que em sua bondade e misericórdia se deu a relacionar com suas criaturas; visto que todas as coisas, até mesmo as mais insignificantes e desapercebidas, procedem dele e são obras das suas mãos; para reconhecermos a sua grandeza e majestade, submetendo-nos ao seu senhorio, com gratidão.

Portanto, Deus existe e sempre existiu em si mesmo, e para sempre o seu nome será o “Eu Sou”. E o ser sempiterno é um dos seus atributos essenciais, pelo qual devemos reverenciá-lo. 

Nota: 1- Aula realizada na E.B.D. do Tabernáculo Batista Bíblico em 29.01.2012;
2- Baixe esta aula em Aula 17.MP3

15 comentários:

  1. Nem notei...de fato acho eu saltei a introdução e fui direto ao miolo do texto...de qualquer forma um estudo é para ser feito atentamente...mas de um modo ou de outro permencem, muito justa e apropriadamente, tanto o elogio anterior como o atual. Nosso Deus o abençôe sempre meu irmão.

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  2. Helvécio,

    Não pula a introdução homem... Volta lá, leia, e releia o "miolo"... Se você que é amigo faz assim, imagina os que não são amigos? Não passam do título [rsrs].

    Cristo o abençoe e aos seus queridos imensamente, também!

    Abração!

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  3. Jorge, meu amado irmão, belo e consistente texto!

    Tenho gostado de sua pena pastoral a qual me faz lembrar os nossos irmãos puritanos.

    Nem Deus é causa de si próprio! Oh meu Deus! Que declaração tão confessional mas em tempo, tão indescritível! Tenho pensado nisso, Jorge, há tempo, pois mesmo que nos debrucemos toda nossa vida em pensar sobre tamanha verdade, o contar dos nossos dias parece-nos um ínfimo minuto refletindo sobre o Eterno! Estudamos sobre o ser de Deus e muitos de nós, O confinam na temporalidade, ao dizer que ele poderia isso ou aquilo, ou aquilo outro, e se arrependeu, mas queria outra coisa para a qual não obteve sucesso, mas ainda anseia por ter o que sempre desejou mas não logrou, etc. Esse ser que corre atrás do prejuízo, chorando pelo leite derramado, tentando rumar sua senda esburacada e errante não pode ser esse ser tão sublime a respeito do qual diz as escrituras: "De eternidade à eternidade tu és Deus".

    Moisés emprega um delimitação ao falar sobre Deus. Da mesma forma como por vezes fazemos, ao dizer "De um lugar a outro há tantos metros", ou "de um lugar a outro se gasta dez minutos", de Deus se diz: desde o sempre até o sempre esse Deus é eterno.

    Ao pensar sobre o eterno não criado, diante do qual tudo é nada; O Deus que nem mesmo a si mesmo criou, pois não houve um tempo em que ele não era. Deus nunca "não foi"; enfim, ao estudarmos sobre Deus, por mais que tentemos conhecê-lo e de fato temos que conhecê-lo na medida que Ele mesmo destinou e delimitou que O conhecêssemos, nos apercebemos do quanto ele é inescrutável, e nos calamos frente ao mistério da Eternidade daquele que nem Ele mesmo é a causa de sua própria existência.

    Quão tremendo e terrível é esse Deus!

    Cristo o abençoe querido irmão.

    Mizael

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  4. Mizael,

    saudades do irmão... Se Deus quiser, no meio-do-ano, quando a temperatura está mais baixa, eu e minha família iremos ao ES, provavelmente em Guarapari. Isso se o Natan não me obrigar a ir a S.C. visitá-lo. Ele está louco para me "anfitrionar", diz que se eu não ficar, ao menos, um mês com ele, cortará as relações amigáveis que temos [rsrs].

    Mas, quem sabe, não dê para ir até Vitória, então, nos conheceremos pessoalmente. São planos, difíceis é verdade, porque sou um eremita em BH, e não viajo já a uns bons anos. Se Deus quiser e providenciar, darei aquele forte abraço pessoalmente no irmão.

    Quanto ao texto, este estudo tem sido uma imensa bênção na minha vida. Tenho tido a oportunidade de aprender muito e de rever alguns pontos que pareciam sedimentados, como convicções certeiras. No decorrer do estudo, que provavelmente demandará um bom tempo, se assim Deus quiser, poderei abordar melhor o que Deus tem usado para mudá-las.

    Suas ponderações são quase um outro texto. E muito me alegra que pensemos da mesma forma, e que possamos entender melhor o quanto Deus é inescrutável, em todo o seu maravilhoso, eterno e perfeito ser.

    Abração, meu amigo e irmão!

    Cristo o abençoe!

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  5. O irmão Mizael pos na mesa uma carta magna: Não se pode, de modo algum, descrever Deus, por isso as Escrituras dizem qaue a Deus nenhum homem jamais viu. Há um ponto do qual não se pode ir além...pois qualquer lógica seria insufiente...ao homem é admostado não ser nunca inimigo de Deus...todas as nossas considrações acerca dEle fatalmente páram em um ponto e ponto final. Concentremo-nos todos em Amá-Lo sobre todas as coisas e temê-lo...salvos façamos o mesmo, sempre!

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  6. Helvécio,

    se você estiver dizendo descrever a Deus plenamente, é verdade, ninguém pode fazê-lo; pois como se descreverá exaustivamente o Deus infinitamente perfeito, eterno e santo? Nesse sentido, nem mesmo os anjos [seres superiores a nós] podem fazê-lo. Contudo, Deus se deu a conhecer, parcialmente, através das Escrituras, e podemos apreender e conhecê-lo no que se deu a revelar. Senão nem mesmo afirmar a sua incompreensibilidade seria possível, não é? E essa revelação se deu especialmente através do Filho Amado, Jesus Cristo, nosso Senhor e Salvador. Mas como já foi dito, mesmo o ímpio pode conhecer algo de Deus através da revelação natural, o seu poder e glória, por exemplo. Acontece que a revelação natural não remete o homem ao Salvador e Redentor, o que somente nos é dado conhecer na Bíblia. Por isso a importância fundamental da revelação especial, que desde o livro de Gênesis nos remete ao Deus misericordioso e gracioso que planejou e executou a maravilhosa e grandiosa obra de salvação do homem. Revelando assim, o seu maravilhoso e também gracioso amor por nós.

    E façamos como você exortou: amemos e temamos a Deus, pois ele é o único e verdadeiro Deus, e é Deus incrível!

    Abraços.

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  7. Jorge, "atributos incomunicáveis, mas que comunicam alguma coisa" - acho fascinante que a nossa linguagem humana, limitada, opaca e pecadora lute diligentemente por tentar "traduzir" o Ser de Deus!

    "Porém posso afirmar que, em sua perfeição, esta não foi uma entre muitas opções, mas a única decisão possível, pois sendo perfeita, não poderia disputar com outras opções, na impossibilidade de Deus cogitar algo imperfeito" - nunca tinha parado para pensar nisso e essa frase é como uma janelinha aberta para amarmos a Deus, que é um Ser acima, de fato, das nossas míseras compreensões.

    Jorge, sobre a "independência" do homem. Quando no jardim do Éden, quando Deus dá a ordem para que Adão não comesse do fruto e revela a ele a conseqUência fatal da desobediência, aqui, muitos centram a discussão no livre-arbítrio, na decisão humana, e creio que essa necessidade de que a nossa vontade independente valha de alguma coisa, isso termina por tirar o foco daquilo que é central e fundamental para nós: a responsabilidade pelos nossos atos! As pessoas que reivindicam o livre-arbítrio (até a palavra remete à liberdade da vontade por si mesma) acabam não discutindo o passo fundamental, que é o de que as nossas escolhas, ou melhor, o fruto das nossas escolhas são responsabilidade nossa. Hoje, mais do que nunca, vivemos num mundo em que todos querem ser livres, mas ninguém quer assumir as consequências de suas escolhas. Enfim, o que eu estou querendo dizer é que focar na liberdade de escolha termina por livrar o pecador de assumir a responsabilidade dos frutos que virão dessas mesmas escolhas. O que, penso eu, é o que na verdade estava em jogo com Adão. Não a liberdade da vontade dele, mas: "olha, Adão, eu estou dizendo o que vai acontecer se você desobedecer, então, a responsabilidade é sua, as consequências terão de ser assumidas"!

    Abraços sempre muito afetuosos.

    Fábio.

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  8. Fábio,

    rapaz, em princípio, concordo com suas afirmações, ainda que o esquema "responsabílidade x liberdade humana" não esteja suficientemente satisfatório...[rsrs]. Mas penso que, provavelmente, ele nunca esteja satisfatório para nós, seja você ou eu a explicá-lo.

    Certo é que Deus determinou que a quebra do preceito por Adão [o pecado] acarretaria a morte. E ela veio. Ponto final. E, outra coisa, não havia como Adão não cair, pois a queda foi decretada eternamente, logo, a qual livre-arbítrio, em Adão, muitos de nós se referem? Já que ele era livre apenas para cair, sem chance de não cair? Pode-se argumentar que o livre-arbítrio de Adão sofreu a influência o decreto divino, para que caísse, mas aí, ele não teria livre-arbítrio de qualquer jeito... É uma assunto que dá nó no cérebro, e pode deixar em pane qualquer um que cogitá-lo...

    O erro é que as pessoas confundem livre-arbítrio com vontade, como você tão bem especificou, e isso traz uma confusão danada. Livre-arbítrio precederia a vontade, sendo que a vontade não estaria "presa" a nenhuma força ou ação que a estabelecesse, além do livre-arbítrio. De forma que a pessoa seria livre de qualquer coação ou influência exterior e interior [moral, princípios, pressupostos, etc], o que é impossível. Portanto, o livre-arbítrio é um sofisma, pois eles dependeria de uma neutralidade que nenhum homem tem em relação ao mundo e a si mesmo.

    Já a vontade é outra coisa. O homem é livre em sua vontade, no sentido de que ele a quer e deseja [sempre motivado por alguma força ou influência interior ou exterior]; sendo ele o agente que a exerce. Portanto, o único responsável por exercê-la.

    É um assunto complexo, e minhas formulações são difíceis até mesmo para eu entendê-las [rsrs]... Cujo assunto estudarei mais no decorrer da Confissão de Fé, e que debateremos, certamente, por aqui.

    Grande e forte abraço!

    Cristo o abençoe!

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  9. "Já a vontade é outra coisa. O homem é livre em sua vontade, no sentido de que ele a quer e deseja [sempre motivado por alguma força ou influência interior ou exterior]; sendo ele o agente que a exerce. Portanto, o único responsável por exercê-la" - gostei disso e há um caminho a se trilhar por aqui.

    Abraços sempre afetuosos.

    Fábio.

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  10. Fábio,

    de uma coisa eu sei: não há como eu, você, ou qualquer homem não reconhecer que os nossos atos foram nossos atos, e, portanto, praticados, exercidos, executados, laborados, por nós. No seu primeiro comentário você abordou a questão da "liberdade" que todos os homens [em maior ou menor grau] querem ter hoje. É o desespero de se ver livre de Deus e um ato deliberado de rebeldia contra ele. Mas há também um sistema maligno de "tirar" do homem qualquer culpa que ele tenha, e transferi-la aos pais, à sociedade, etc. Ora, pais podem ser culpados pelo que fazem mas os filhos não. A sociedade pode ser culpada pelos atos individuais dos seus membros mas o indivíduo não. É um esquema muito louco e doentio, que visa inocentar o homem e culpar a humanidade, tirando a realidade objetiva e transferindo-a a um ser "abstrato" que não pode ser culpado e condenado. A própria impraticabilidade de se julgá-las demonstra a sua irrealidade e patologia. É mais uma prova do desespero e loucura humana, genérica à medida em que vai-se instalando na mente de cada um de nós, mas do próprio homem.

    Por isso, tenho a certeza de que, mesmo dentro do decreto divino, do soberano poder de Deus controlar e determinar todas as coisas, o homem não tem como se esquivar da sua responsabilidade por seus atos, pois é ele quem os faz, através da sua vontade livre, mas jamais livre de coação interna e/ou externa. Não posso transferir a outros o que eu fiz. Assim como os outros não podem transferir para mim a responsabilidade pelo que eles fazem. Como a Bíblia sabiamente afirma, cada um dará conta de si mesmo diante de Deus [Rm 14.12].

    Novo forte e grande abraço!

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  11. Graça e Paz Jorge,

    A quanto tempo, heim?? [risos]

    Essas tuas últimas interações com o Fábio dão uma nova série de postagens tranquilamente.

    Gostei de suas colocações, principalmente porque é assim que creio, e a empatia começa por ai.

    Em especial esse teu comentário sobre transferência de culpa, a "sindrome de Adão", ontem a noite fui a um culto de ação de graças na residência de uma irmã. Um garotinho de 2 anos, começou a implicar com outro, a mãe o repreendeu com palavras, a resposta dele? "foi ele! foi ele!", quando na verdade não tinha sido.

    Essa mesma sindrome, fruto do pensamento freudiano, foi inserida na "teologia" e o homem gosta disso, pois eximi-o de culpa diante do Criador, acho que é por isso, e por outro obvios motivos, que essas "igrejas" estão sempre cheias, pois a culpa é sempre do "demonio do adultério", demonio do homossexualismo", "demonio da prostituição", "demonio da pobreza", e assim os atos dos pecadores são justificados, ao ser lançada a culpa sobre os demonios.

    E creio que eles "adoram" quando isso acontece, afinal do que deverá o homem se arrepender se a culpa é dos demonios, e lá se vai mais uma penca de "crente" para o inferno.

    Quando terminar os estudo na Confisão de Fé, pensa em escrever algo sobre o assunto será bastante edificante.

    Abraços fraternos,

    Ednaldo.

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  12. Ednaldo,

    por aqui tem tempos mesmo que não nos encontramos. Mas nem tanto que nos falamos: você me ligou no Ano-Novo, e eu comentei no "Divinitatis" semana passada, duas vezes [rsrs]. Mas penso que poderíamos nos falar mais vezes em menor espaço de tempo. O que é uma pena não acontecer, pois os papos com você são sempre muito, muito bons, e edificantes, e estimulantes.

    O Fábio tem me dado um grande incentivo, assim como o Helvécio e os demais irmãos que frequentam regularmente o blog [comentando, quero dizer], a empenhar-me cada vez mais nos estudos, com suas reflexões, informações e comentários.

    O assunto da "responsabilidade x liberdade" é algo mesmo pra lá de complexo. Penso que podemos apreender muita coisa da questão, mas penso que algumas vão além da nossa compreensão. É como tatear no escuro, algumas vezes. Mas o que não há que duvidar é a nossa responsabilidade sobre nossos atos. No meu comentário, não me lembrei do diabo, como o "mote" para alguns se esquivarem da culpa pelo pecado e, por conseguinte, da necessidade de arrependimento. Como se o inferno fosse apenas para ele e seus anjos. Como você disse, haverá um monte de pessoas por lá com eles, sem que se dêem conta de que estão caminhando a passos largos para esse destino.

    Interessante a sua colocação sobre o menino, já com dois anos de idade apenas aprendeu rapidamente a transferir a sua responsabilidade para o outros. À medida que crescer, arrumará culpados menos visíveis que o coleguinha de briga: o sistema, a sociedade, Deus, a religião, etc. Vivemos um mundo permissivo demais para com o pecado e o pecador. É triste, mas não nos aborrecemos nem com um nem com outro, na maioria das vezes [e uso o termo aborrecer como a Bíblia o revela: ódio, mesmo].

    Terminar a C.F.B... Nem sei quando. Já se foram 19 aulas [falta publicar duas ainda] e a minha estimativa é a de sair do capítulo 2 daqui a umas quatro ou cinco aulas ainda. Então, sei não, acho que vai demorar bastante para eu pensar em escrever outra coisa. A vantagem é que, como a CFB aborda praticamente todos os pontos bíblicos e doutrinários que a teologia em geral se detém em explicar e elucidar, dará para abordar essa questão também, e em vários pontos distintos, como na salvação, nos decretos, na doutrina do homem, etc.

    Veja se não some, rapaz!

    Fica na paz, meu irmão!

    Grande e forte abraço!

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  13. Jorge,

    Não ceda às persuasões de Natan. Ele está blefando, seu cristianismo depende de que esteja blefando rsrs. Venha para vitória, desejo conhecê-lo também. Seria muito bom tê-lo por aqui.

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  14. Caro Jorge

    Um mês...? Eu falei isto...?

    Falando sério, preciso saber, para que eu possa me planejar financeiramente:

    - Quando pretendes vir, dezembro ou janeiro?
    - Que dias exatamente?
    - Quantas pessoas virão?
    - Virás de carro ou de avião?
    - Que tipo de atividades gostariam de realizar (Visitar locais? Ir na praia? Conhecer algum ponto turístico em específico? Ir no Beto Carreiro...? risos..., preciso desta parte para montar uma pequena programação).

    Favor me responder no e-mail.

    Abraço!

    Não estou blefando.

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  15. Mizael,

    obrigado pelo convite, mas, por enquanto, o Natan tem a prioridade [rsrs].
    Se vier a BH antes de eu ir até Vitória, avise-me. Terei imenso prazer em conhecê-lo e ser seu anfitrião por aqui.


    Natan,
    sei que você não está blefando, mas que ficou engraçado o seu comentário, isso ficou.
    Um mês foi por minha conta. Como não sou de viajar, vai que gosto daí, decido não voltar, e você terá de me aturar por mais um tempo... até me estabelecer [rsrs].
    Mas, sério, agora. Até o fim-do-ano visitarei-os. Promessa! Pode me cobrar, se você for louco! [rsrs].

    Grande e forte abraço, meus irmãos e amigos!

    Cristo os abençoe!

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