07 abril 2012

Estudo sobre a Confissão de Fé Batista de 1689 - Aula 22: A unidade de Deus




Por Jorge Fernandes Isah


INTRODUÇÃO

O que é unidade? Ela é a característica ou qualidade daquilo que é uno, único, indivisível, o qual não se pode separar. Em relação a Deus, este atributo quer-nos dizer duas coisas: 

1- De que Deus é único, não pode ser dividido, pois ele não é constituído por partes, mas o ser integral, coeso, completo, absoluto. Com isso se quer dizer que não há nele nenhum aspecto que se sobressaia sobre outro aspecto, nenhum atributo que se sobressaia sobre outro atributo; que em seu caráter não há nada mais ou menos importante, como se houvesse graus de relevância em seu ser. 



2- De que Deus é exclusivo, de forma que ele é incomparável, excepcional, não havendo outro igual a ele; sendo superior a todos os outros seres, não existindo algo com o qual se possa compará-lo. 

Leiamos Dt 6.4 e 10.14: “Ouve, Israel, o Senhor nosso Deus é o único Senhor”, e: “Eis que os céus e os céus dos céus são do Senhor teu Deus, a terra e tudo o que nela há”.

Temos aqui o resumo do que seja a unidade divina, de que há somente um Deus, e de que ele é o único Senhor. De forma que a ideia politeísta de que há outros deuses é lançada por terra. 

Também é desmentida a ideia de que Deus não é Senhor; no sentido de que ele não exerce seu senhorio sobre a criação, sejam anjos, demônios, homens, o universo, céu e inferno, terra e ar. Especialmente aqueles cristão que defendem a falsa doutrina do não-senhorio de Cristo, encontram-se em maus lençóis diante dessa categórica assertiva bíblica, pois Deus é Senhor de tudo e de todos, sem exceção. 

Veja bem, aqui também temos a ideia ateísta desmoronando-se, pois esse trecho nos revela que Deus existe, e de que ele é o Senhor de todas as coisas, não somente dos crentes, mas de tudo o que há e veio à existência pelo seu poder e vontade. Somente o ser infinitamente perfeito, imutável e santo pode ser uno. Os homens, em contrapartida são constituídos por partes. Temos corpo e alma, mas Deus é Espírito, um só Espírito [Jo 4.24]. 

Com isso não estou defendendo a doutrina unitarista, a qual afirma não haver três pessoas, mas apenas uma pessoa que se manifesta em três maneiras ou formas diferentes. Então, é impossível falar em unidade divina sem se tocar na questão da Trindade [lat trinitate, quer dizer, simplesmente, "três"]. Este termo não está na Bíblia, mas foi escolhido para designar a pluralidade que há em Deus, contudo, ele gera confusão pois remete o ouvinte à ideia de que o Cristianismo é a cosmovisão que acredita haver três deuses, o que é chamado pelos nossos oponentes de triteísmo. Por isso a melhor expressão para definir a unidade divina subsistindo em três pessoas é Tri-unidade, o qual passarei a utilizar. 

O atributo da unidade nos remete à eternidade divina, no sentido de que as pessoas da Triunidade não estavam separadas e se uniram, mas de que Deus sempre foi e é único, a unidade perfeita, um só Deus, mas três pessoas em unicidade. E isso nos afasta do conceito politeísta, ou mesmo a errônea ideia de que a Trindade pode ser comparada com o triteísmo, porque a Bíblia nos ensina o monoteísmo; igualmente, ela não nos ensina também a unicidade, mas de que há três pessoas que não se confundem; porém, isto será objeto de nosso estudo sobre a Tri-unidade Divina, nas próximas aulas, tão logo terminemos o estudo sobre os atributos de Deus. 

O erro está em supor que Deus é um, mas tem apenas uma personalidade. A unidade divina está expressa no fato de que todas as pessoas da Tri-unidade têm a mesma essência, a mesma natureza, mas não quer dizer que elas possuem uma única personalidade. Por isso, na história do Cristianismo, definiu-se que há um só Deus [Deuteronômio 4:35, 6:4, 10:14, Salmo 96:5, 97:9, Isaías 43:10, 44:6-8, 44:24, 45:5-6, 45:21-23, 46:9, 48:11-12, João 17:3, 1 Timóteo 2:5, Apocalipse 1:8, (Oséias 13:4)], no qual subsistem três pessoas: o Pai, o Filho e o Espírito Santo [Mateus 3:16-17, 11:27, 17:1-9, 27:46, João 1:18, 14:16-17. A pré-existência do Filho: Cl 1:13-17, Hb 1:2-3, Jo 1:1], e de que há plena igualdade entre elas .Elas são idênticas em sua natureza e essência, mas distinguidas por características particulares que não são possuídas em comum pelas demais. De forma que o Pai não é o Filho, nem o Filho o Espírito Santo, nem o Espírito o Pai; havendo distinções pessoais dentro da essência divina. Assim sendo, há uma pluralidade em Deus, sem se perder a sua unidade. É o que o Credo de Atanásio diz: “Mas a fé universal é esta, que adoremos um único Deus em Trindade, e a Trindade em unidade. Não confundindo as pessoas, nem dividindo a substância". Cada uma destas verdades é parte daquilo que Deus nos quis revelar de si mesmo, e qualquer doutrina que não se baseie nelas é heresia, fraude e engano.

A UNIDADE DE DEUS COM A IGREJA
Sabemos que Deus é um em unidade, mas também sabemos que ele é um com o seu povo. A partir da união entre o Pai, o Filho e o Espírito Santo podemos experimentar e viver essa mesma união. É claro que como seres finitos, imperfeitos e pecadores necessitamos desesperadamente da graça e misericórdia divinas para que, limpos do pecado pelo sacrifício do Filho na cruz, sejamos reconciliados com Deus, e assim possamos viver em unidade com ele. 

Este é um ponto que deve ser analisado por dois aspectos:

Primeiro, de que a nossa união com Deus, através de Cristo, se deu antes da fundação do mundo, e por ele mesmo foi concebida e realizada. Não há como, por nós mesmos, nos unir a Deus; foi preciso que ele providenciasse a nossa redenção para que pudéssemos nos unir a ele. Então, como promessa divina, como desejo divino, sem a menor chance de não se realizar, já estamos unidos com Deus eternamente.

Segundo, visto o homem estar preso ao tempo e espaço, e o projeto divino se realiza sucessivamente no decorrer da história, para nós, essa união pode ser sentida, mas não vivenciada constantemente. O pecado, que se manifesta ainda no salvo, é um dos obstáculos para que essa união se concretize definitivamente. Com isso estou a dizer que, para Deus, já estamos unidos a ele, pela obra consumada de Cristo, mesmo antes dele consumá-la no tempo, pois ela é eterna, e a eternidade não é um futuro para Deus, mas um “presente” sempre constante diante dos seus olhos. Segundo o olhar divino, já estamos unidos a ele. Sob a nossa perspectiva imperfeita e limitada, ainda não. Ou seja, estamos incapacitados de reconhecer essa união permanentemente. A carne, em constante luta contra o espírito, obscura-nos os olhos, para que não vejamos a realidade da nossa união com Deus. Mas ela é uma realidade bíblica, senão, vejamos: 

“E não rogo somente por estes, mas também por aqueles que pela tua palavra hão de crer em mim; Para que todos sejam um, como tu, ó Pai, o és em mim, e eu em ti; que também eles sejam um em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste. E eu dei-lhes a glória que a mim me deste, para que sejam um, como nós somos um. Eu neles, e tu em mim, para que eles sejam perfeitos em unidade, e para que o mundo conheça que tu me enviaste a mim, e que os tens amado a eles como me tens amado a mim” [Jo 17.20-23]. 

Nesta oração do Senhor Jesus, ele pede ao Pai que sejamos, nós, todos os cristãos, em todos os tempos, um com Deus, assim como o Pai é um com o Filho. É claro que o Senhor não está dizendo que seremos “deuses”, nem de que participamos da mesma natureza de Deus. Não é nada disso. Ele está dizendo que estamos unidos a ele porque o seu santo Espírito habita em nós, de forma que Deus é um conosco. Ora, se Deus é indivisível, imutável e infinito, como vimos no estudo da infinidade e imutabilidade divinas, temos que, de uma forma maravilhosa e indescritível, o ser completo de Deus está em cada um de nós, e, assim, estamos completamente unidos a ele. Esta união se dá pelo seu amor, como alvos que somos, e pelo qual ele se manifesta. É algo que se dá pelo poder e vontade de Deus, e da qual não temos nenhum controle ou domínio, apenas recebendo-o como dádiva e bênção para as nossas vidas; um prêmio que não merecemos e jamais mereceríamos. 

Outro ponto que a unidade de Deus nos remete é às suas promessas, assim como as suas promessas nos remetem à unidade divina, de que elas estão em conformidade, em harmonia, unidas em um único propósito de cumprirem a sua vontade; tanto a vontade como as promessas são indissolúveis, indissociáveis, e se realizarão infalivelmente, revelando-nos o Deus único em seus atributos, vontade e obra. 

CONCLUSÃO
A unidade de Deus nos revela que ele é um, único, em sua natureza e substância, sem que a sua pluralidade de personalidades o transforme em um ser composto. Deus é um, subsistindo em três pessoas: o Pai, o Filho e o Espírito Santo, que não se confundem entre si, mas que numericamente são um Deus. Isso, jamais, poderá nos levar à ideia politeísta de que há um triteísmo no Cristianismo. O Cristianismo é monoteísta, pois não afirma haver deuses, mas somente um Deus.

Assim como Deus é um, e suas pessoas não podem ser separadas, ele também é um com a igreja. O fato de sermos o templo do Espírito Santo, e de o corpo de Cristo, nos revela que já somos um com Deus. Para ele, essa é uma realidade eterna, que nunca deixou de ser ou existir. Para nós, que estamos na carne e lutamos contra o pecado, pode ser como uma ladeira: ora subimos e sentimos que estamos em unidade com Deus, ora descemos e sentimos também que não estamos. A nossa limitação nos impede de viver permanentemente essa realidade, o que acontecerá definitivamente naquele dia em que estivermos diante de Deus, quando não mais haverá o pecado e, portanto, nenhuma venda a ocultá-la dos nossos olhos. 


Por último, esse maravilhoso atributo divino nos dá a garantia de que as suas promessas se realizarão, pois Deus é um consigo mesmo, e sua vontade e ação também são únicas, infalíveis e irredutíveis.

Notas: 1-Aula realizada na E.B.D. do Tabernáculo Batista Bíblico em 11.03.2012;
2-Baixe esta aula em file.MP3

10 comentários:

  1. Acabei de realizar um estudo sobre a oração sacerdotal e o tema da unidade salta aos olhos.

    Jorge, você lembra aquele movimento todo sobre a libertação daquele pastor iraniano, Yousef Nadarkhani, que estava condenado à morte porque havia se convertido? Então, depois saiu um artigo na sociedade calvinista que dizia que ele não acreditava na Trindade.

    Falo isso, porque no caso dos indígenas também há um vácuo neste ensinamento. E mais. Aqui na cidade em que moro (e só pude descobrir isto neste ano), há muitas famílias indígenas sendo doutrinadas por Testemunhas de Jeová. Assustei com isso, porque me perguntei como que seria possível o interesse dos TJs pelos indígenas. Mas lembrei de duas coisas: primeiro, as culturas indígenas daqui não sabem dizer não, negar, dizer que não quer; segundo, os demais cristãos da cidade já sabem muito bem quem são os TJs, daí não abrirem suas portas a eles.

    Sobram, então, os indígenas que não sabem dizer não quando lhes é proposto um estudo. É uma tristeza. Os Tjs negam a Trindade (entre outras milhares de heresias).

    Gostei do termo Tri-unidade. Fica parecendo teologia de gaúcho, bah! tchê! rsrsrs

    Abraços sempre afetuosos.

    Fábio.

    ResponderExcluir
  2. Por consequência natural,a igrejas e o cristianismo e tá outras religiões tentam descrever in totum a Deus, ou a divindade. Claramente devemos reconhecer que Deus escapa a toda e qualquer capacidade humana, lógica de esgotar a descrição divina em sua total essência. Um abraço meu irmão.

    ResponderExcluir
  3. Caro amigo

    Eu não estudei como você a fundo os conceitos de triteísmo etc...

    Todavia me atrevo a dizer que Jo 4.24 "Deus é espírito; e importa que os seus adoradores o adorem em espírito e em verdade" não ensina que Deus é um só Espírito, como você quer me fazer crer.

    Antes relembro que eu sou dicotimista e alma e espírito são a mesma coisa.

    Assim DeusTrino é um (em propósito, em essência, em consistênica, etc...) mas cada uma das pessoas da Trindade (DeusPai, DeusFilho e DeusEspíritoSanto) tem um Espírito-Alma distinto.

    Eles tem vontades distintas por exemplo, mas unas na prática.

    A analogia é podre, mas Eles são UM em natureza, mas não possuem a mesma alma, e por isto cada um é uma pessoa diferente da outra.

    É um grande mistério de dizer que são um só Deus manifesto em três pessoas distintas.

    E por isto podendo ser confundida com politeísmo.

    Uma outra questão "herética" da minha parte, é que tenho para mim uma tese ainda não totalmente estabelecida e estudada na minha mente, que após a ressurreição, a trindade passará a ser formada por quatro "pessoas", O Pai, o Filho, o Espírito e a Noiva...

    Não quero escadalizá-lo... risos... então vou calar.

    Não seremos Deus, mas seremos semelhante ao Senhor Jesus (o primogênito) e sendo Ele Deus, então de alguma forma estaremos bem próximos disto.

    Nem vou discutir o caso, é só uma impressão.

    A nossa união com Cristo será mística e assim como o homem casado e a mulher são "uma só carne" mesmo sendo dois, da mesma forma na eternidade seremos "um" só com o Jesus, mesmo sendo distintos em bilhões.

    Resumindo, é um mistério.
    Resumindo, para mim são três pessoas, logo três almas/espíritos distintos.

    Em outras palavras, quando Jesus (que era detentor da alma/espirito do Verbo Eterno) disse que enviaria o Consolador (o Espírito Santo), ele não estava dizendo que enviaria a Si mesmo, mas estava dizendo que outra pessoa (o Espírito Santo Consolador) viria para acompanhar a igreja.

    Abraço!

    ResponderExcluir
  4. Jorge, o Oliveira tocou num assunto que nós já havíamos discutido antes. Lembra de uma vez que falei sobre a teologia da Igreja Ortoxa? Eles crêem que Deus se fez homem para que os homens pudessem ser feitos divinos (até onde eles chegam com essa ideia, eu não sei). Mas a base para eles é: 2 Pe 1:4.

    Abraços sempre afetuosos.

    Fábio.

    ResponderExcluir
  5. Fábio,

    acho que os indígenas nos ensinam ao menos uma coisa, quando refletimos sobre a cultura deles, a de que devemos sempre dizer "não" quando um princípio ou doutrina se contrapõe à Escritura e a Fé Cristã [e, aqui, citei a Fé Cristã de forma redundante, não como distinta à Escritura ou um simples complento, pois ela é, ao meu ver, nada além da aplicação prática das doutrinas bíblicas].

    Sobre o pastor iraniano, não sei como anda o caso, se foi executado ou não. Se ele não crê na Triunidade, o seu exemplo é ainda mais emblemático, pois ele é capaz de defender uma mentira com a própria vida, enquanto nós, muitas vezes, não somos capazes de cumprir coisas mínimas que a nossa fé exige, sendo ela, a verdade. É para nos deixar rubros de vergonha.

    O mesmo exemplo vale para os TJs que não se importam de levar "portas na cara", e, ainda assim, insistem em proclamar a mentira. A obstinação deles deveria ser um exemplo para nós. Mas ouvi, certa vez, um pastor dizer que o evangelismo de rua, do tipo abordagem pessoal, estava com os dias contados, e era coisa do passado. Para ele, valia mais utilizar os meios de comunicação modernos [rádio, tv, net, etc], e especializar o evangelismo em encontros para casais, jovens, viciados, etc. Sei que Deus pode usar de todos os meios para levar um eleito a reconhecer o seu pecado, a necessidade de perdão, e arrepender-se. Mas não há outro meio pelo qual isso aconteça que não seja pela proclamação do Evangelho. E entendo que o testemunho pessoal, e a abordagem "corpo-a-corpo" [especialmente entre os que nos conhecem e aqueles que conhecemos] é a melhor forma de se evangelizar, o qual considero insubstituível. Nada que as fachadas eletrônicas e encontros temáticos possa substituir.

    Por isso, devemos cada vez mais reconhecer o trabalho dos missionários, seja entre os índios, seja em culturas não-ocidentais, e principalmente nas ocidentais, onde o verdadeiro Cristianismo tem-se esvaziado como um balão furado. E o que restará, ao meu ver, é o que tem acontecido na Europa e nos EUA, uma terra estéril onde a incredulidade campeará. O aumento de seitas ateístas [o ateísmo é um sistema religioso, ainda que não se aceitem como tal], orientais, holísticas, etc, parece-me a prova do que estou dizendo.

    Grande abraço!

    Cristo o abençoe!

    ResponderExcluir
  6. Helvécio,

    não há como descrever Deus em sua totalidade, a qual, como Paulo disse, é insondável e inescrutável [Rm 11.33]. Somente Deus pode-se conhecer completamente; e somente pela sua vontade é que podemos conhecê-lo naquilo em que se revelou. Ora, se nos apegarmos à "insondabilidade" e Inexcrutabilidade divinas, e não buscarmos conhecê-lo no que é possível conhecer, poderemos dizer que somos íntimos de Deus? Penso, que não.

    A experiência do que ele tem feito em nós, e por nós, é riquíssima. Acontece que um incrédulo, por exemplo, considerará a providência de Deus como acaso, sorte, fatalismo, ou motivado por outras causas. Nós, por conhecermos quem ele é, a origem e o Senhor de todas as coisas, sabemos que é por sua vontade e providência que somos o que somos e temos o que temos. Nada além da bondade, misericórida e graça divinas.

    Por isso, penso que cada vez mais é necessário estabelecer, através do estudo sistemático da Escritura, os limites aos quais o cristão dever ir, se pode ou não ir. O próprio Senhor nos advertiu de que o seu povo perecia por falta de entendimento. Então, quem sou eu para discutir com ele?

    Conhecer não é ruim, estabelecer limites também, saber onde andamos e por onde não devemos andar é fundamental para a nossa própria existência e sobrevivência. Penso que na fé cristã também deve ser assim. Para não nos perdermos nos "atalhos" da vida, e tomarmos "água de vaso sanitário" como se fosse "Perrier" [rsrs].

    Logo, se não apreendemos nada de Deus, não conhecemos, e como ele mesmo diz em sua Palavra, não somos conhecidos dele.

    Grande abraço!

    Cristo o abençoe!

    ResponderExcluir
  7. Natan,

    eu e você estamos tateando juntos, eu de cá, você daí, e podemos nos ajudar mutuamente a entender o que agora não entendemos. Ou mesmo a termos paz naquilo que não entenderemos e que ultrapassa a nossa capacidade de compreensão.

    Olha, entendo que Deus é um, Espírito, que se comunica com as Pessoas da Trindade, e que elas têm a mesma essência, natureza, etc, ainda que sejam personalidades diferentes. Mas posso estar errado e você certo; ainda que eu acredite que Cristo, quando proferiu o texto de João 4.24, se referia à unidade divina, não a uma das Pessoas, como se estivesse a dizer que o Pai é Espírito, ou o Filho é Espírito. Mas há o fato de que, quando ele diz que mandaria o Espírito do Consolador, há uma especificidade na Terceira Pessoa da Triunidade, de forma que, ele não enviaria o Espírito do Pai ou do Filho. Podemos, contudo, entender, que ao falar sobre o "Espírito do Consolador", Cristo estava dizendo que enviaria o Espírito de Deus na Pessoa do Consolador. O fato é que Deus é unidade, um, subsistindo em três Pessoas, mas como isso se dá é realmente complexo demais. Por isso, chamá-la de mistério não é inadequado nem inapropriado, mas reflete uma realidade muito além da nossa compreensão... Contudo, a sua análise me fez, de certa forma, duvidar do meu dicotomismo, e a cogitar bandear-me para as fileiras tricotômicas [rsrs].

    Sobre a sua "quatrindade" parece-me mesmo um delírio [rsrs]. Entendo que a união entre Deus e a Igreja já existe, ao menos, para ele. Para nós, como eu escrevi, é um sobe e desce na ladeira, de forma que sentimo-nos unidos a ele em determinados momentos [podendo ser a maioria deles ou não] e em outros nem tanto. O certo é que na eternidade, quando estivermos diante do Senhor, a nossa união será vivenciada de forma total, sem os altos e baixos, e seremos, assim como ele é com o seu Filho Amado, um com Deus.

    Não creio que esta seja uma doutrina herética, e o exemplo que você deu [não sei em qual postagem], entre a união do homem e da mulher, como uma só carne, me parece uma boa analogia, que exemplificaria bem como se dará essa união entre Deus e os eleitos na eternidade.

    Mas esse é, também, um mistério, não no propósito de se concretizar, mas na forma como se concretizará.

    Grande e forte abraço!

    Cristo o abençoe!

    ResponderExcluir
  8. Fábio,

    o texto de 2Pe 1.4, fala, ao meu ver, especificamente do atributo de santidade, o qual teremos, quando não mais houver pecado, e estivermos impossibilitados de pecar, pelo poder de Deus.

    Não entendo como referência a compartilharmos da natureza divina; isso é impossível. Compartilharemos do que nos foi comunicado, e que, por nós mesmos, somos incapazes de exercer: justiça, retidão, amor, misericórdia, bondade, etc, aos moldes de Deus. Como, em todos os seus atributos, ele é infinito, eterno, perfeito e imutável, e, sendo nós, seres temporais e imperfeitos, não participaremos da mesma essência que o Senhor, mas, do ponto de vista prático, quero dizer, de execução, seremos santos como ele é santo. Esta me parece ser a qualidade pela qual toda a obra divina foi planejada e está em curso de realização. É claro que não podemos ser infinitos, nem perfeitos, nem eternos. Isso é fato. Mas, na medida em que não houver pecado, seremos santos; na medida em que Cristo nos lavou e purificou, estamos limpos e puros. É o que penso.

    Abração!

    ResponderExcluir
  9. Jorge, sobre tuas respostas aos meus dois comentários, corroboro-os!

    Abraços sempre afetuosos.

    Fábio.

    ResponderExcluir
  10. Caro Jorge

    Fique tranquilo.

    Eu não me importo de "delirar" de tempos em tempos.

    E entendo que mesmos nas nossas "certezas" sobre algumas coisas, mesmo assim erraremos longe, pois a Escritura diz que o que o olho não viu e o ouvido não ouviu, são as coisas que Deus tem preparado para os seus.

    Sobre o demais... risos...

    Entendo que o que identifica a personalidade (como chamas) é de fato o Espírito ou Alma e por isto que advogo três Espíritos/Almas diferentes, todavia um só Deus (mistério).

    Não duvide do seu dicotomismo.

    Reescrevo aqui (acho) o que já mastigamos no passado, mas nunca me entedio deste assuntos... risos...

    O melhor esquema do ponto de vista lógico, pedagógico etc... é o tricotômico.

    O problema é que ele não tem base bíblica... risos... logo muito provavelmente falso, e está muito mais para Freud e companhia do que para a verdade dos fatos.

    Veja que legal (eu acho esta heresia legal):

    - Alma (vontade, razão e emoção) por analogia representaria a figura de DeusPai, cuja vontade "maior" dá unidade a Trindade;

    - Corpo (carne, sangue e ossos) por analogia representaria a parte visível (mesmo na eternidade) de Deus, a saber DeusFilho;

    - Espírito (intuição de Deus, consciência de Deus, comunhão com Deus) por analogia representaria o Espírito Santo.

    O "poblema" como diz o caboclo é que poderia listar vários textos onde o espírito pensa (uai... a razão não estaria na alma?) ou onde a alma tem comunhão com Deus (uai... a comunhão não estaria no espírito?) e por aí vai.

    Retroceder ao dicotomismo para entender a Trindade é andar para trás.

    Sobre a "quatrindade"... cruz credo... risos...

    Veja... A união entre Jesus e a Igreja é um noivado "ainda" e por isto chamada de a Noiva do Cordeiro, e o milênio, tempo em que desde a ressurreição até a Parousia onde o Reino vai sendo pregado e cresce, este tempo para mim é a celebração das bodas, onde todos os que vem para a igreja vem participar da festa de celebração do reino, logo ainda não está consumado o casamento.

    A união total é somente depois da ressurreição.

    Logo... continuando a "heresia" proposta por mim, de alguma forma seremos "deuses" muito semelhantes não ao Pai nem ao Espírito Santo, nem ao Verbo, mas muito semelhantes ao DeusFilho Jesus.

    E ainda poderia citar textos no VT e no NT onde num, Deus chama os homens de deuses, e noutro, Jesus usa esta mesma afirmação para pegar os fariseus no contra-pé.

    Aproveito para acrescentar "outra heresia" pois veja que Jesus mesmo em João 14 parece fazer uma analogia entre a unidade da Trindade com a unidade Dele com a igreja e da igreja entre os seus membros.

    Ora.... Se na igreja sabemos que somos vários e distintos (mesmo sendo um em Cristo), porque não seria possível que as pessoas da Trindade fossem vários (3) e distintos e mesmo assim "um" (sem ser mas sendo).

    Há uma fixação ao aspecto "monoteísta" do nosso Deus, mas "Eles" mesmos não tem vergonha de embaralhar o caldo quando disseram "Façamos (no plural) o homem a nossa imagem e semelhança".

    Fica para você mastigar...
    Eu não politeísta no sentido pagão, todavia não me sentiria totalmente insultado se me chamassem de "politeísta", afinal eu também não sou louco e tenho consciência que oro a DeusPai, através do DeusEspírito e em nome ou autorizado pelo DeusFilho.

    Quando eu adoro o meu Deus eu faço ao DeusTrino ou separadamente também o faço pois chamo Jesus de Senhor.

    Ou você ora a Jesus diretamente?

    Abraço!

    ResponderExcluir