02 fevereiro 2014

Deus não tem escolhas

Farei algo que nunca fiz por aqui antes, nestes mais de cinco anos. Republicarei um texto. O que é inédito. Se o texto não é, ao menos a iniciativa será. Os motivos são vários, desde o cansaço [são mais de dez anos sem férias], um pouco de preguiça e, principalmente, por considerar este um dos meus melhores textos [ao menos um dos que mais gosto], e ele está meio que negligenciado pelos leitores. Deveria estar no "Top Ten" do Kálamos e não sei se está entre os 20 ou 30 mais lidos. Acalento esta idéia há algum tempo, e o momento parece-me propício. Mesmo aos que já o leram, seria bom uma nova leitura. E aos que ainda não leram, leiam... Ah, e não se esqueçam de ler os comentários, também, na postagem original, que podem ser acessados AQUI
Sem mais delongas, vamos a ele!


Deus não tem escolhas

       














Por Jorge Fernandes Isah

Algo complexo e de difícil definição é o conceito de liberdade. Ela pode representar várias perspectivas, de vários pontos de vista diferentes, e serem completamente antagônicos entre si. Daremos uma olhada em como o Priberam define-a:

liberdade
(latim libertas, -atis)
s. f.1. Direito de proceder conforme nos pareça, contanto que esse direito não vá contra o direito de outrem.2. Condição do homem ou da nação que goza de liberdade.3. Conjunto das ideias liberais ou dos direitos garantidos ao cidadão.4.Fig. Ousadia.5. Franqueza.6. Licença.7. Desassombro.8. Demasiada familiaridade.

A definição parece restringir-se ao relacionamento entre homens, seja individual ou coletivamente, mas afeita exclusivamente a eles. É basicamente sociológica, menos filosófica, não-metafísica, pouco abrangente.

Uma definição mais ampla é encontrada no Michaelis:

liberdade
li.ber.da.de
sf (lat libertate) 1. Estado de pessoa livre e isenta de restrição externa ou coação física ou moral. 2. Poder de exercer livremente a sua vontade. 3. Condição de não ser sujeito, como indivíduo ou comunidade, a controle ou arbitrariedades políticas estrangeiras. 4. Condição do ser que não vive em cativeiro. 5. Condição de pessoa não sujeita a escravidão ou servidão. 6. Dir Isenção de todas as restrições, exceto as prescritas pelos direitos legais de outrem. 7. Independência, autonomia. 8 Ousadia. 9 Permissão. 10 Imunidade.

Aqui há uma gama de descrições que se aplicam diretamente ao homem, mas que têm também conotações filosóficas como a definir, por exemplo, o livre-arbítrio, o qual é, entre outras coisas, o “estado de pessoa livre e isenta de restrição externa ou coação física ou moral”; e, ainda que seja apenas uma proposição improvável, “exercer livremente a sua vontade”.Porém, o assunto deste texto não é discutir o famigerado livre-arbítrio e sua impossibilidade de garantir a liberdade da indiferença ou o indeterminismo, mas apenas demonstrar a dificuldade e o campo minado em que se entra quando a questão é demarcar e, especialmente, aplicar o conceito de liberdade.

Se definir liberdade é algo complexo, em se tratando da condição humana, o que se poderá dizer de Deus? Os cristãos bíblicos concordarão que Ele é livre; e a Criação resultou de Sua decisão livre, ao decretar que tudo criado, seja material e espiritual, viesse a existir a partir do nada. É o relato bíblico: “No princípio criou Deus o céu e a terra” [Gn 1.1]. Mas isso significa dizer que Deus teve escolhas? Que num leque de possibilidades escolheu uma delas? Ou até mesmo a hipótese de não escolher criar absolutamente nada era provável? Seria possível para Ele pensar em modelos ineficazes e falhos? Para, então, descartá-los? E ficar com o mais aceitável ou perfeito? Pode Deus cogitar algo imperfeito? E o que garante a escolha certa? Em quais bases, escolheu? Quais foram os critérios que o levaram à Criação? Era-lhe possível não criar? E qual a certeza de que o plano daria certo? E efetivamente escolhera o correto? Não parecem variáveis de um pensamento imperfeito, e não provindos de uma mente perfeita?

Talvez o grande problema aqui não sejam as respostas nem as perguntas, mas o fundamento através do qual elas são formuladas. Em linhas gerais, tentamos entender Deus a partir do padrão humano, como se fosse um de nós, e estivesse sujeito à mesma imperfeição que resultará na maioria das vezes em distorções, em inadequações da realidade. Se acredito que o Senhor é capaz de ter escolhas, no sentido de dar a Si mesmo opções do que escolher, havendo em princípio boas e más opções, ao descartar-se uma em detrimento de outra resultará na deficiência do conjunto daquela, como uma obra “menos perfeita”, não-ideal, enquanto esta demonstrará ser “mais perfeita”. Mesmo que todas as opções fossem“integralmente” perfeitas, o ato de escolha indicaria que, em algum aspecto, haveria imperfeição em um ou mais modelos. E se há imperfeição, pode provir de Deus? A mente absoluta, incomparável, única, e que reúne todas as qualidades concebíveis, um padrão irrepreensível, impecável e insuperável em sua própria essência, poderia imaginar o mais remoto e inverossímil plano? Pode-se imaginá-lo a arquitetar o inacreditável? Algo que contradiz a Sua natureza? O ser eterno, infinito, perfeito e santo cogitaria [como a mais improvável conjectura] o que não estivesse em conformidade com a Sua divindade?

Veja bem, estamos falando do decreto eterno, o qual é santo e perfeito, e não das contingências e particularidades dele. Não há como negar que, por exemplo, o mal seja mal, o pecado seja pecado, a Queda seja a Queda, a corrupção seja corrupção, o imoral seja imoral, mas eles são partes de um todo que não pode ser superado em seu aspecto determinado como a expressão da vontade santa, excelente, completa e irretocável de Deus. Como conseqüência e resultado de Sua mente absoluta.

O que estou a dizer é que escolhas pressupõem a superioridade de uma em relação à outra, ou a superioridade do nosso conhecimento ou perspectiva em relação a elas. Para que Deus escolhesse entre algumas ou muitas opções seria necessário não deterem o mesmo nível de perfeição. Em maior ou menor grau, haveria variáveis, e variáveis levarão inevitavelmente à mutabilidade. O próprio fato de Deus cogitar principiar duas ou mais coisas, ainda que no campo imaginário, apontaria para sua mutabilidade ao exercer o seu direito de escolha, e ao fazê-lo, não se terá a certeza do decreto acabado, mas sujeito às transformações durante o seu desenvolvimento no tempo.

Entendo que há muitos atributos divinos ligados à questão, e caso decida-se pelas “possibilidades de Deus”, estar-se-á comprometendo cada um deles, ao ponto em que, tanto a imutabilidade, a onisciência, a sabedoria, a perfeição, especialmente, estarão prejudicados.

Hipóteses existem para nós, seres corrompidos. Ainda que escolhamos aquela decretada por Deus. Essa forma de pensamento define muito bem a nossa imperfeição, conjecturamos o que Deus poderia fazer [do ponto de vista racional e lógico], mas Ele não teve escolhas, senão o eterno decreto poderia não ter sido a melhor delas, e nem seria eterno. O próprio fato das escolhas em si mesmas revelará uma mente insegura, instável, mutável, não-perfeita. Deus não se ateve a opções, nem as analisou, nem as estudou, nem as cogitou. Isso daria margem para a hipótese de haver algo que não pensasse, e que pudesse ser melhor do que o pensado. Quantas opções a sua mente infinita teria? Porém a infinitude da mente divina não implicaria na infinitude de proposições, em múltiplos planos, em possibilidades de contradição, de se cogitar algo que contrariaria a Sua própria natureza, de implicar na mínima chance de que Ele pudesse errar, ou seja, levá-lo a enganar-se.

Alguém pode dizer que a santidade e a perfeição o conduziriam a optar pelo melhor plano sempre, mas a própria idéia de um plano A, B, C ou D, resultará na inadequação de ao menos três deles. E tanto a santidade como a perfeição seriam postas de lado por não se enquadrarem ao padrão do Seu pensamento. Se levarmos esse conceito de hipóteses para Deus, ele representará que Deus é capaz de pensar imperfeitamente, e até mesmo de criar imperfeitamente, pois o cogitá-los, por si só, já preanunciaria um estado não-perfeito e não-santo. E, convenhamos, o que a Bíblia afirma é a exata e inquestionável perfeição e santidade divinas. Quanto a isso, não há sombra de dúvidas. O problema nunca está em Deus, mas em nós que não assumimos nossa porção de equívocos e distorções diante de Sua majestade e glória refletidas na revelação especial [e perceptíveis na Criação].

Deus, como o Ser, como o Absoluto, não teve escolhas. Ele pensou uma única vez, um único plano, perfeito, acabado, irretocável, infalível, imutável, assim como Ele é. Este plano já era antes da fundação do mundo, assim como Deus é. O que me leva a concluir que Ele é livre, mas não de uma espécie de sub-liberdade que o condicionaria a equívocos possíveis nas escolhas, ou mesmo a exigüidade delas.

Deus pensou o certo desde o princípio. Pensou o perfeito desde sempre. O imutável. Determinou todas as coisas uma única vez, sem a chance de errar. O que está diante dos nossos olhos e o que não está, o que ouvimos e não ouvimos, o que sentimos e não sentimos, o que existe e o não existe, simplesmente é e não pode deixar de ser. O que não é não veio a existência porque Deus não quis, mas porque não poderia vir [como algo insofismável]; já que não há nEle o cogitar, mas o inapelável, o determinado, o absoluto, não o indeterminado, o provável, o dedutível.

Por isso, Ele é Deus. O Criador. Porque Ele simplesmente é o “eu sou” [Ex 3.14, Jo 8.58].
                                                                                      
                                                  






25 comentários:

  1. Muito boa a postagem, mas quanto a opções, fico pensando que se o fato de "eu" imaginar outras possibilidades para a criação de um mundo (embora estas possibilidades sejam totalmente imperfeitas pelo simples fato de não serem a exata realidade determinada por Deus), isto não faria de mim um ser mais onisciente que o próprio Deus.

    Deixe-me expressar isto: Deus é totalmente onisciente e desta forma, conjecturo que Ele poderia sim visualizar milhões de outras possibilidades e questionamentos concebidos por uma mente finita, tão somente pela impossibilidade de compararem-se ao perfeito, imutável e eterno decreto por Ele estabelecido; creio que isto Lhe traria ainda maior glória, ao revelar Sua imensa sabedoria e perfeição acima de qualquer outro tipo de concepção.

    Obs: Não quero dizer com isso que Deus tenha questionado a Si mesmo, comparando Seu decreto com demais possibilidades antes de trazê-lo a existência. Quero simplesmente expressar a idéia de que o decreto eterno de Deus, tão somente pelo fato de tê0lo sido decretado por Ele, é perfeito e por conseqüência está em oposição a qualquer outro tipo de formulação concebida por nós e conseqüentemente conhecida por Deus.

    A idéia é mais ou menos como a de um arquiteto que após desenvolver um projeto perfeito, sabe que as infinitas possibilidades de um leigo não seriam suficientes para alcançar o mesmo objetivo.

    De qualquer forma, parabéns irmão Jorge, pois o texto é muito bom e ambos concordamos que o decreto de Deus não poderia ser outro. O simples fato de poder ser melhor ou pior implicaria imperfeição.

    Nelson Ávila.

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  2. Querido irmão,

    Eu o li o original, acho que devo ter dado algum "pitaco à época" ( não fui ao link revê-los, os meus e os dos outros irmãos- irei )mas até para repisar as idéias o leio de novo ( no presente atentamente ). Trata-se de um "start" teológico-filosófico ou será filosófico-teológico. Poderia ser um enfoque sob o título "Deus não tem limites" ou "Deus não é um deus limitado", acho que o ponto é o mesmo. De uma forma ou de outra o seu raciocínio legítimo do ponto de vista da especulação ( sem demérito ) estabelece um "deus" tão enclausurado quando, supostamente combateria.
    Como combateria a escolha no homem ( em que já afiramara em outros textos "ter escolhas" e em Deus por não ter feito, por exemplo o mundo perfeito, apenas "viu que era bom" ( outro texto seu ). O texto é precioso sim para reflexões e debates, sem deixar de dar glórias a Deus por tudo o que Ele é e não alcançamos. Espero que os irmãos se manifestem ( de novo ). Um abraço

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  3. Nelson,

    Concordo com sua "especulação", mas como o Deus revelado não é um Deus inconstante, que não sabe o que quer, acho pouco provável ele se colocar nessa posição.
    Na postagem anterior, o Tiago Vieira fez a colocação de por que Deus não poderia escolher entre várias opções perfeitas uma perfeita, que mais lhe agradasse. Simplesmente porque, ao meu ver, se ele escolher uma, é sinal de que as outras não são perfeitas ou a escolhida é mais-que-perfeita. Logo, Deus não poderia, por sua própria natureza perfeita, ao menos cogitar algo que não fosse perfeito. Essa possibilidade de escolhas é para seres imperfeitos como nós. Deus dá o tiro certo, como dizemos por aqui... ele não tenta acertar o alvo, ele acerta, sem nenhuma chance de errá-lo.
    Sei que a sua colocação foi em relação as escolhas humanas, mas elas nos são dadas dentro de uma perspectiva humana, não divina, em que Deus sabe que, a despeito das múltiplas opções, escolheremos sempre uma: aquela decretada eternamente a ser escolhida.
    O plano de Deus, em sua perfeição, estabeleceu aos homens as opções, com isso não quero dizer que elas sejam perfeitas, o plano é, a despeito das contingências aparentarem muitas vezes uma imperfeição que, contudo, não faz o plano, ou decreto, imperfeito. Em outras palavras, o decreto divino é perfeito, sábio e santo, mesmo estando nele contidas o pecado, o mal, etc.
    Não sei se expliquei mais do que confundi, mas se confundi, pode perguntar que tentarei explicar de novo [minha esposa diz que se eu posso complicar, para que vou simplicar... rsrs]

    Grande e forte abraço, meu irmão!

    Cristo o abençoe!

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  4. Helvécio,

    o meu objetivo aqui no Kálamos é pensar e levar os outros a pensar. Não me interesso em fazer prosslitismo, até porque não sou mestre em nada. Se as pessoas refletirem e disserem: "Jorge, pensei, meditei no que disse e não concordo consigo", me darei por satisfeito.
    Sei que erro muito, exagero outro tanto, e acerto vez ou outra, mas quero sempre amadurecer à luz da Escritura, e que outros possam amadurecer também, ainda que seja discordando de mim.
    Apenas uma pergunta: quem lhe garante que Deus quer uma liberdade livre de si mesmo? Ou melhor, fora de si mesmo? Deus é livre em si mesmo [o único ser plenamente livre], e pode fazer qualquer coisa, mas quem garante que ele quer? A sua própria vontade, santa e perfeita de querer isso, o impedirá de fazer aquilo. Essas "confusões" são típicas de nós, criaturas imperfeitas e sujeitas à variações, mas não de Deus.

    Grande abraço, meu irmão!

    Cristo o abençoe!

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  5. Caro irmão Jorge,

    como gosto de textos em que Deus é glorificado, exposto de uma forma em que não há opção dEle ser o que não é.

    Todos seus atributos, toda Sua Glória fica clara, Sua perfeição em criar o imperfeito aos nossos olhos imperfeitos criados por Ele, e mesmo assim nos capacita a vê-lO como Perfeito fazendo o imperfeito necessário para Seus propósitos perfeitos.

    Sou da mesma opinião,Deus não pode ter tido ou pensado em escolhas, contrariaria Sua Palavra. Nem porque não entendemos algo criado por Deus, é imperfeito.

    A desculpa atual do Amor de Deus para que as catástrofes ocorridas cada vez mais constantes, O tem colocado numa posição de expectador, em que alguns acham que Ele não é responsável pelo Mal, que Ele não quer que isso aconteça, pois Ele é Amor. Isso é antibíblico, é não ver Sua Vontade e Sabedoria ao ver os fatos sendo conduzidos por Ele e para Seus propósitos. Tudo o que acontece, só acontece com Sua permissão e é perfeito, mesmo que para nós pareça ruim.

    Eu entendo Sua perfeição com o meu limite (que Ele me deu) e estou satisfeita com esse entendimento, para mim, não cabe especulações de escolhas entre planos perfeitos, por exemplo. Na Sua Sabedoria e Onisciência e Eternidade, já "visualizou" o plano perfeito da criação, como está dito em Gênesis 1:1, nos mostra como é que Ele cria: Faça-se e não vamos ver como é melhor ser feito, Ele determina e cria, o perfeito, o melhor, como vc disse numa tacada certeira.

    Tudo para Deus é perfeito. Honra e Glória para Ele.

    Grande abraço, seus irmãos em Cristo.

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  6. Fernanda e Denes,

    puxa... que comentário perfeito! Dizer mais o quê?

    Posso apenas repetir Paulo: "Porque dele e por ele, e para ele, são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente. Amém" [Rm 11.36].

    Cristo os abençoe, meus irmãos!

    Grande e forte abraço!

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  7. Como afirma Tiago em sua epístola, "toda a boa dádiva e todo o dom perfeito vem do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não há mudança nem sombra de variação" (1.17). Pela boca do profeta Malaquias Deus também afirma: "eu, o SENHOR, não mudo" (3.6). Portanto, que Deus é imutável é verdade claramente ensinada nas Escrituras Sagradas. Há coisas no Livro Santo que não conseguimos entender muito bem (bem, não eu, pelo menos -- rsrs!), e essa da imutabilidade divina é uma delas. Mas, com humildade e submissão reverentes, temos que as aceitar. É importante lembrar também que Deus pode sim ter outros atributos além daqueles que Lhe aprouve revelar para nós em Sua Palavra (Deuteronômio 29.29): aí, só na Glória mesmo vamos saber deles.

    Parabéns pelo texto, Irmão Jorge!

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  8. Oi, Vanderson [P.R.],

    Imutabilidade é algo realmente interessante e complexo, especialmente se olharmos para nós, mutáveis e complexos... na verdade, confusos...{rsrs]. Mas olhar para o Senhor e reconhecer nele toda a sua glória e majestade é um grande privilégio. Também alegra-me muito esse trecho de Tiago, e outros que nos remetem à perfeição e imutabilidade divinas. A nossa segurança está, ao menos em parte, firmada nesses atributos absolutos; os quais Deus nos revelou [e concordo que ele possa não ter revelado tudo sobre si, e creio que o fez, como parece indicar Is 55.9], o suficiente para que creiamos que ele é a verdade e o "Eu Sou".
    Quanto ao que ele não nos revelou, são coisas que estão encobertas; mas creio ser questão de tempo... para conhecê-las.
    O mais importante é sabermos que Deus se revelou no Filho, e por ele, sabemos a medida do seu eterno e infinito amor.

    Grande abraço, meu irmão!

    Cristo o abençoe!

    PS: Estou-lhe devendo um comentário no P.R. sobre a sua última postagem, o seu primeiro sermão. Aproveito para indicar aos leitores tanto essa postagem como as demais do "Polemista Reformado". Esta semana voltarei lá para o comentario.

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  9. O problema é que o homem deu crédito a serpente, e dessa forma pensa ser como Deus, e quando não cria um deus a sua imagem e semelhança.

    Ótimo texto Jorge.

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  10. Ednaldo,

    O homem só não é mais tolo por falta de espaço. E tem gente que não crê na graça e misericórdia de Deus... Será que olham no espelho e vêem o quanto são cegos, miseráveis, pobres e nus?

    Grande abraço, meu irmão!

    Cristo o abençoe!

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  11. Jorge, mto bom esse texto!!

    Eu tava participando de um debate onde o cara questionou inicialmente "qual o critério que Deus usa para predestinar?" e se eu já tivesse lido esse texto poderia ter evitado algumas postagens a mais talvez..

    Eu disse a ele que a Eleição precede a própria Criação, logo fomos criados para ser quem somos, e se somos salvos é pq fomos eleitos.. A Eleição é a causa e não a conseqüência..

    Entendo que na prática não há um critério específico para Deus definir quem elege ou não, mas que somos o que somos justamente pq Deus nos criou para isso.. Até pq, se Deus elegeu alguns ANTES DE CRIÁ-LOS, então não pode ser baseado em algo que ELES TENHAM EM SI, já q nem existiam..

    E pensando no que Agostinho disse sobre a Vontade de Deus sempre ser a mesma, imutável, eu entendo que na prática não há mesmo como haver ESCOLHA (e aí acho que até o termo "eleição" entra em xeque), já que pra isso seria necessário um "momento" específico para ser feita, o que parece ser contrastante com a idéia de que a eternidade é um "presente contínuo", e portanto pressupõe-se que todas as ações na eternidade são simultâneas..

    Vixi, viajei?? rs

    Abraço!!

    Frezza

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  12. Frezza,

    Na verdade estamos minimamente tentando compreender a mente de Deus, e algumas "viagens" acontecem mesmo. A mente do Senhor é insuperável, tão muito acima da nossa que por mais que meditemos em sua grandiosidade não a compreenderemos completamente.
    Mas a Bíblia nos dá várias "pistas" e, ainda que eu tenha citado um versículo nesta postagem, todo o meu texto se baseou naquilo que ele nos revelou de si mesmo em sua palavra.
    Certamente Deus tem um critério para a eleição, que não nos foi revelado; sabemos que tudo é para a sua glória, mesmo os vasos criados para a desonra. Entretanto, não dá para saber porque ele me escolheu para filho e não outro. O fato é que o glorifico tanto por minha escolha para a eleição como por aqueles que escolheu para reprovação. Parece cinismo de minha parte, mas não é. Simplesmente reconheço a sua soberania, sabedoria e perfeição em cada particularidade do seu decreto eterno, tanto as boas como as más. E, se por acaso, eu mesmo fosse um vaso para ira, não deixaria de glorificá-lo por sua decisão; pois em tudo reconheço a sua santa vontade.
    O que você aponta como verdade [e, é] é o que se chama esquema supralapsariano: eleger para salvação e reprovação; Criar; Permitir a Queda; Providênciar a salvação para os eleitos; chamar o eleito à salvação. É claro que esse não é um esquema cronológico mas lógico, o qual nos foi dado para que entendêssemos primariamente como "funciona" a mente de Deus. Revelando que tudo se deu eternamente, uma única vez, de forma lógica e perfeita. E um dos trechos que considero, entre outros, a favor do esquema supra é Rm 9.

    Grande abraço, meu irmão!

    Cristo o abençoe!

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  13. Jorge, é complicado mesmo..

    Entendo que o critério de Deus é o amor, que também é imutável.. Logo, Deus sempre nos amou (até mesmo antes de existirmos =o)..

    Mas como nos amava se "nem éramos" ainda?? Acredito que Deus nos criou por amor e para que nós desfrutemos desse amor. Fomos criados em função disso..

    Mas pq a distinção entre nós e os ímpios? A meu ver ela acontece para que Ele manifeste Sua Justiça, e tb para que Seu amor POR NÓS fique evidente.

    Eu acredito mesmo no supralapsarianismo, e acho que nem mesmo Adão tinha na verdade uma opção livre, que poderia mudar o destino dele (e conseqüentemente o nosso)

    Há muitas coisas que nunca vamos entender, mas gosto de tentar chegar a esse limite. Gosto de conversar sobre a eternidade, o tempo e os desígnios divinos justamente pq deixam mais dúvidas do que respostas, e nossos esforços só nos levam a concluir que a mente de Deus NUNCA poderá ser realmente decifrada..

    Mto bom..

    Eu posso publicar esse texto no meu blog??

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  14. Frezza,

    é isso aí! Também não creio nesse esquema do Adão "posso non pecare" e "posso pecare", o qual foi idealizado por Agostinho. Até escrevi um texto sobre isso: "Preso na própria armadilha".
    Também não vejo problemas em meditar nas questões sobre eternidade, tempo, desígnios, decreto, etc. É claro que devemos fazê-lo com reverência e sempre respeitando os princípios biblicos, o que comumente chamamos de ortodoxia. Apesar de não concordar com tudo. Mas as diferenças são mínimas, posso garantir.
    Quanto a republicar qualquer texto meu, fique à vontade! Está previamente autorizado a fazê-lo, quando quiser.

    Abraços.

    Cristo o abençoe!

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  15. Olá Jorge,

    Vc repostou o seu pior texto... pior pq tem muita coisa, tem muita informação, tem muita afirmação e desfazê-las (se necessário) da muito trabalho, até pq não estão erradas, pelo menos muitas delas, só estão mau arrumadas... mas arrumá-las não é um tarefa fácil e nem prazerosa. E eu não estou disposta a isso. Por isso só farei um pequeno comentário.

    De fato Deus não tinha escolha de como fazer o mundo, pq para q assim fosse às opções (padrões e modelos) estariam para além de dele mesmo, e o universo (toda a Criação) seriam pré-existente e também eterno. Deus definiu tudo até o q é ser (otologicamente), ele é o início até do existir.

    Mas sempre que se resolve fazer algo, se escolhe entre fazer e não fazer, então se Deus é perfeito (pré-existente, todo poderoso e único livre) ele escolheu entre essas duas possibilidades, e se não for assim ele o fez porque tinha alguma obrigação (a necessidade) de fazer alguma coisa, e nisso ele seria incompleto...

    Enfim, seu texto erra no mesmo pressuposto que apresenta como errático e por isso foge, tentar compreender a mente de Deus (a partir da mente humana - mas quem de fato está fora desse elo?), mas tenho q admitir q isso é um padrão excelente para erro (risos).
    Sei que Deus fez por q quis e tudo o q quer ele pode fazer, mas sei que ele não quer qualquer coisa. Então, nisso se diz que Deus não teve escolha, tudo bem, com quanto fique claro q ele não teve escolha em executar (formas diversas do que temos, como sendo coisas para nós), pois a escolha de querer elas assim foi dele e simplesmente se fez, então nesse sentido ele teve sim escolha (Criar ou não) e a exerceu!

    Em Cristo, por quem fui escolhido.
    Esli Soares

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  16. Esli,

    bem, é a sua opinião. Tenho a minha, e gosto muito deste texto, como já disse. Talvez um pouco por tudo isso que você está dizendo sobre ele... talvez.

    Quanto à sua colocação sobre Deus escolher entre fazer e não fazer, sabe minha resposta [rsrs]. Só a hipótese de não fazer já o tornaria em um Deus suscetível, ainda que seja à idéia de não fazer o que fez.

    Deus não pensa qualquer coisa, por isso Deus não pode deixar de fazer qualquer coisa; qualquer coisa não existe para ele, nada além do seu plano perfeito, elaborado por sua mente perfeita. Essa ideia é bastante "humana" para que Deus a cogite. Distinguir a execução da criação levará à pergunta que fiz no texto: o que garante que o plano pensado é perfeito? Se houver escolhas, ele pode não ser [mesmo a escolha de não criá-lo]. E o próprio fato de haver escolhas podem denunciar a sua não perfeição.

    Entendo que isso está claro para você [a diferença entre planejar e executar; criar ou não criar], porém, para mim, não faz sentido.

    Grande abraço!

    Cristo o abençoe!

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  17. Bem, não ia entrar no mérito do texto, mas devido ao comentário da irmã Esli, decidi não omitir-me. Adianto ( e o irmão Jorge sabe,discordo de ambos, mas não seria, pelo menos educado, rebatê-lo no seu blog e acho que não conseguiria convencê-lo e nem haveria nenhuma alegria em fazê-lo ). Quanto ao texto ( e esse é o objetivo do meu comentário ) acho o claro no que o irmão Jorge como calvinista e com as suas posições colocadas em suas postagens não carece de ser arrumado. Quando o leio confiro comigo mesmo as minhas posições e se ele, a partir de suas exposições, demonstrar as minhas incoerências teológicas pessoais, é ótimo, não há nenhum mal caso isso aconteça. Até hoje ele não me convenceu ( e nem eu a ele..rs...rs...rs... ). Sem dúvida é benéfica a meditação na Palavra de Deus e nas coisas de Deus, a construção de uma fé que guardada paras salvação se depura a cada dia para ser aperfeiçoada. Um abraço e desculpe algum mal entendido. Um abraço a irmão e ao irmão.

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  18. Helvécio,

    é irmão Esli, não irmã. Veja a foto dele, o homem é barbudo...[rsrs].

    Quanto às críticas, sem problemas! Não sou incriticável; e sei que o Esli está mostrando apenas discordância. Talvez não precisasse ser tão incisivo em sua afirmação [de que é o pior texto], mas conheço o jeito dele, é assim mesmo; e sei que a sua intenção não foi ofensiva.

    É uma opinião com a qual posso concordar ou não; aceitar ou não.

    Abraços

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  19. Amigos:

    Helvécio,

    Se a minha foto não denunciou q sou irmão e não irmã (risos), digo-lhe sou irmão.

    Bom estranha-me essa postura logo de vc que sempre escreve muito aqui.

    Outra questão é que de fato fiz uma brincadeira com o Jorge sobre a confusão dos escritos dele e a profundidade dos mesmos, mas acho q nem ele entendeu, então não vou culpá-lo pro imaginar que fui ofensivo.

    Jorge,

    Faça a pergunta: mas a ela eu acrescento, como poderemos pensar em um modo objetivo de qualificar o plano de Deus? É aí q tudo está Deus é o princípio de tudo, nele todas as coisas estão fundamentadas, mesmo as leis da lógica e a força da causa e razão. Se ele tivesse determinado salvar todos sem perdoar ninguém, isso seria perfeito, pois Ele é o perfeito! Se ele tivesse dotado o homem de livre-arbítrio isso seria perfeito, porque Ele é perfeito; Mas sabemos que essas coisas estão erradas porque Ele revela isso em sua Palavra e não porque nossa lógica deduziu isso.

    No mais, Jorge continue a escrever esses textos errados e tortos, vc sabe fã deles.

    Esli Soares

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  20. A culpa não é minha...Eu sempre o vi como irmão, mas aí no comentário dele ele digitou:" abre aspas...mas arrumá-las não é um tarefa fácil e nem prazerosa. E eu não estou disposta a isso. Por isso só farei um pequeno comentário." fecha aspas...confira no comentário dele... Desculpe irmão Esli barbudo, mas erro de digitação é fogo. Até achei legal um a"irmã" argumantar tão enfaticamente sobre algum assunto...nada contra as irmãs, ou qualquer foram de "machismo gospel", mas as irmãs quando não concordam conosco, nos ignoram... Agora reforçando: eu gosto de seus textos, não sei se gosta o mesmo dos meus..o Helvecinho não gosta, acha que eu falo ( escrevo ) muito. Ele é inteligente mas escreve cinco linhas em cada post no blog dele e diz o que pretende. Achoq ue ele escrfeve bem , mas acho que fala um pouco pouco demais. Um abraço caro irmão Jorge.

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  21. P.S. vi o comentário dela ( dele ) no meu e-mail e lá não parece a foto. rs...rs...rs... bela barba irmão Esli. Desculpe...rs...rs...rs...

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  22. Esli,

    não disse que você foi ofensivo [não me senti ofendido], mas mordaz, incisivo contundente. Releia o que escrevi: "Talvez não precisasse ser tão incisivo em sua afirmação [de que é o pior texto], mas conheço o jeito dele, é assim mesmo; e sei que a sua intenção não foi ofensiva".

    No mais, nossas discordâncias vão muito além disso, contudo, é sempre prazeroso e edificante nossas discussões.

    Abraços.

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  23. Helvécio,

    temos o problema de ser analíticos demais, e a net é um lugar mais para a síntese. O problema é que pouquíssimos são capazes de sintetizar eficientemente, e dizer algo.

    Nossas mentes funcionam na "multidão de palavras" exatamente para dissipar o "caos intelectual" e colocar as coisas em ordem. Isso é a razão. As vezes conseguimos, outras, não. Mas não tenho problemas em ler textos longos, assim como textos curtos, desde que a ideia seja possível de ser apreendida. Há longos textos que não dizem absolutamente nada, e são um emaranhado de conceitos soltos e lançados ao léu, que acabam por confundir ao invés de clarificar.

    Talvez seja isso o que o Esli esteja dizendo do meu texto... mas não o considero assim, nem errado, nem torto. Porém, um dos melhores e dos que mais gosto. Mas como disse, são opiniões, as quais podemos ou não aceitar e concordar.

    Abraços

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  24. Seu texto é acadêmico, já pensou em publicá-lo na academia Edu?
    https://www.academia.edu/5832944/Como_receber_o_reino_de_Deus
    Publico lá alguns de meus escritos.

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  25. Jesiel,

    obrigado, pela dica!

    Acontece que sou meio avesso a essas coisas. Normalmente as pessoas republicam os meus textos em seus blogs e sites por livre e espontânea vontade, sem a minha interferência e solicitação. Muitos o fazem sem me pedir autorização, o que não vejo problema, outros a pedem e autorizo prontamente. Como não sou acadêmico, apenas um autodidata, prefiro manter-me assim, porque não tenho muito tempo disponível, o que tem afetado até mesmo a publicação de textos novos, por aqui.

    Um grande abraço!

    Cristo o abençoe!

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